terça-feira, outubro 02, 2012

50 tons de medo!

A própria palavra medo já nos dá medo. Mas é fato, o ser humano é feito de medos. De diferentes tipos de medos. Inclusive o medo de admitir que tem medo. Sou dessas.

Quem me olha me acha forte, corajosa, independente, destemida. Mentira. Sou medrosa. Muito medrosa. Em muitas coisas sou conservadora...por medo de arriscar. Tenho medo de perder, medo de ganhar, medo de empatar e ficar na mesma. E por tudo isso, tenho medo de jogar. Mas jogo. Me jogo. No trabalho, nas relações, nos amores, na vida. Mas no meu travesseiro, calada, morro de medo.

Se eu disser que toda vez que entro em um avião eu não sinto medo, estaria mentindo. Adoro andar de avião e faço isso bastante, principalmente por causa do trabalho...mas sinto frio na barriga toda vez. Agora medo mesmo, no pior sentido da fobia eu sinto por transportes aquáticos. Sinto pavor. Mas vou. Enfrento. Poucas pessoas me viram neste momento, e posso dizer que todas ficaram assustadas. Me transformo, viro outra pessoa. Sou um ser transparente que não tem medo de assumir que sente medo, é nítido no meu olhar, na rigidez do meu corpo, nas mãos geladas e no silêncio. Esse meu medo se solta e se expressa livremente, ao contrário dos meus outros medos.

Recentemente, como a maioria das mulheres, eu me rendi à trilogia dos "50 tons"...viciei, choquei, apaixonei, sonhei diversas noites com Christian Grey, e assim como Anastasia Steele, senti 50 tons de medo. O medo de me envolver com alguém louco, e ao mesmo tempo o medo de perder alguém que muitas vezes me parece perfeito. O medo de encontrar alguém que tenha medo de se doar ao amor, ou ainda que outro alguém descubra que na verdade sou eu que tenho medo de me entregar a este bicho. O medo da dor, e até da falta dela. Medo da decepção. Pavor daquele olhar mortal de quem ama decepcionado com você.

E que atire a primeira pedra quem não tem medo de estar seguindo uma trilha errada no caminho da vida. Me questiono todo dia se meu GPS interno está me levando ao destino que almejo. E o medo de recalcular a rota, ou pior, de perder a comunicação com o satélite e seguir pra sempre extraviada. Qual é o caminho certo? Medo de nunca ter essa resposta. Peço à Deus que ilumine este caminho, mas nem só da escuridão eu sinto medo. Tanta maldade vemos acontecer em plena luz do dia. Medo dessas pessoas. Medo de acontecimentos que muitas vezes distorcem valores que julgamos corretos. Medo do destino. Medo de não haver destino. Medo de minhas reações a injustiças que presencio. Medo de mim. Medo de deixar de ser eu.

Medo...ah eu temo admitir, mas sou feita de diversos tipos deles. E quem não é?