Com os 35 anos batendo a minha porta, cada vez mais a neurose de eliminar os quilos extras me assombra e judia das minhas noites de sono. Todo mundo avisou, mas você sempre acha que não vai chegar seu dia, ou que seu metabolismo não vai ser desses que liga de uma vez o "slow motion", mas a verdade é que depois dos 30 é muito mais difícil ter resultado fechando a boca...e agora já estão me falando que é depois dos 40...mas calma, não sofrerei por antecipação.
Enfim, a verdade é que comecei falando da idade, mas desde que me conheço por gente eu faço regime (nem era chamado de dieta ainda...rs). Dieta da lua, da USP, da sopa, do tipo sanguíneo, do abacaxi, dois filhos de Francisco (dorme que a fome passa...), Vigilantes do Peso, Herbalife, Sibutramina, Atkins, South Beach, ortomolecular, nutricionista, endocrinologista, xenecal, spa, personal, fiz de tudo que apareceu. Como sou filha temporona, minha mãe conta que não tinha muita paciência mais, e fui praticamente criada na mamadeira com nescau, e na papinha da Nestlé. Ou seja, olho minhas fotos e morro de vontade de me apertar...eu era a coisa mais fofa. Só que essa fofura só tem efeito positivo até os 2 anos de idade, né? Pois é...e aí que começou a neurose. Em casa dificilmente tinha bolacha, bala, chocolate, chips...essas coisas que crianças adoram. Em festa de aniversário, ficava me contendo para não atacar a mesa toda de doces. Açúcar? Não sei usar até hoje, adoçante faz parte do meu DNA...com ou sem aspartame, ele sempre esteve lá.
Daí o título "nunca comi, sempre fui gorda", porque desde sempre me policio e restrinjo minha alimentação...mas sempre fui gordinha. Tá certo que tem épocas da minha vida que olho fotos e não acho que eu era tão gorda quanto eu me achava, quanto me cobrava...na adolescência tudo fica enorme, né? Principalmente nossa imagem perante a sociedade. Depois de adulta a gente se descobre, aprende a usar determinadas imperfeições do nosso corpo a nosso favor, mas naquela época você só encontra defeitos sem solução. Foi numa dessas que parei de tomar refrigerante, aos 14 anos. Louca por coca-cola e guaraná, fiz promessa de parar 1 semana, aguentei 1 mês, 1 ano...aí fui pra Disney e tomei (porque lá, há 20 anos, era bem mais fácil que encontrar água!), e senti um gosto horrível, quase vomitei. E daí, pra nunca mais...é realmente hábito, gente.
Falamos de porcarias até agora, mas e as refeições? De novo, voltamos à infância. Pós papinha Nestlé, o que eu comia? "Arroz amarelinho". E só. Arroz com gema de ovo era só o que eu queria. Almoço e jantar. Até descobrir o miojo com manteiga. E depois o "bife com capota" (a milanesa). E o hot dog pão com salsicha. E depois o strogonoff, já na pré-adolescência. Essa era a minha vida. Salada? Nem 1 miligrama. Fazia cara feia, não tolerava de jeito nenhum. Sofria horrores para ir na casa das amiguinhas, acho que por isso eu sempre as trazia pra minha casa. Quando penso nessa trajetória, me julgo um organismo de sorte, meus exames de sangue sempre apresentam resultados exemplares, e graças a Deus nunca tive nada. Vai entender...
Com 16 anos entro na faculdade e vou morar em Ribeirão com uma amiga. Acabou Nice fazendo comida todo dia, e a Fernanda começa a cair na realidade. Minha prima fala até hoje que lembra do espanto que teve ao me visitar e me ver pedindo no restaurante um prato com arroz, feijão, lombo, farofa e salada. Tive que aprender a comer de tudo. E claro, com a boquinha boa que tenho, aprendi a gostar de tudo mesmo...principalmente do que engorda. Tinha uma confeitaria do lado de casa, fiquei viciada nos salgados, passei a dar um valor imensurável no arroz e feijão caseiro, a degustar todos os tipos de massas e molhos, a apreciar todas as partes do boi em um belo churrasco, e principalmente a desfrutar das facilidades de um congelado da Sadia para quem não sabia esquentar uma água no fogão. Ah sim, e passei a comer salada uma vez ou outra. Não que eu gostaaaaaasse, mas comia. Também aprendi a tomar cerveja...e chopp, e whisky, e vinho, e sakê, e cachaça...bom, também sou filha de Deus, né? rs Ah, das coisas engraçadas da vida? Peguei birra de ovo, aquele do arroz amarelinho...só fizemos as pazes há uns 3 anos...rs
Todo esse tempo eu intercalava com as dietas mencionadas acima, até que fui morar nos EUA com 24 anos. Eu ouvia as histórias "Fulana fez intercâmbio e voltou redonda, Sicrano engordou 20 kg, Beltrano ta com 3 papos". Eu tinha certeza que entraria para estas estatísticas, mas surpreendentemente foi o contrário. Permaneci o ano todo em forma, como nunca. E sem fazer dieta alguma! Comia muito fora, mas também passei a comprar salada pronta, além dos congelados. E aquelas tranqueiradas americanas que engordam, não me apeteciam. E foi aí que descobri que a comida Brasileira, principalmente o arroz e feijão, é que me faz perder a cabeça e o controle do peso.
De lá pra cá, quando voltei para o Brasil, intercalei mais algumas dietas nestes 10 anos...principalmente porque as responsabilidades aumentam, e consequentemente o stress, e a boquinha nervosa. Ahhhhh eu não como os meus problemas, eu os devooooro. Desconto mesmo na comida, e nas minhas pobres unhas roídas. Já me falaram que tenho alguma fixação oral, mas não quis entrar em detalhes...rs
E assim vem sendo, até que, em meados de agosto, resolvi fazer a tão falada dieta Dukan. A primeira vez que ouvi falar nisso foi no casamento do príncipe William, ao ver a noiva e sua irmã extremamente esbeltas em seus vestidos brancos que marcariam até pelo encravado. Virou moda e todo mundo começou a falar disso em todo lugar. Eu sabia que era muito parecida com a Atkins, mas tinha fases e alguns itens tolerados, blablabla. Resisti bravamente por um tempo, e aí resolvi aderir. Fiz o cadastro no site oficial para ter o diagnóstico, me recusei a pagar, optando por fazer sozinha e seguindo dicas da internet. Mas eu confesso que se fosse seguir a risca, não conseguiria...então fiz várias adaptações por conta própria: não conto gotas de azeite, não alterno entre dias com e sem verdura e, o mais importante, incluí bebida alcoólica destilada.
Usando palavras da moda, nomeei a minha dieta de "Dukan Inspired". E deu resultado! Depois de 3 meses, eliminei 12 quilos e estou me sentindo ótima!
Neste meio tempo contagiei várias pessoas ao meu redor e nas redes sociais, e o mais chocante.......estou cozinhando as receitas da dieta e adorando! E foi por isso que resolvi escrever e contar essa experiência neste blog semi-abandonado. Quando posto foto das comidas que tenho feito, ou do resultado nítido que tenho obtido, muitas pessoas me pedem conselhos e me questionam o que podem comer, como estou seguindo, etc...e quem já aderiu, adora debater o assunto...não tenho embasamento médico algum, a única orientação que passo é que, independente da dieta, o importante é ter força de vontade e determinação, não escorregar mesmo...e se escorregar, não se culpar, e correr atrás de recuperar e não repetir o escorregão! Eu costumo dizer que, como não é uma dieta de contar calorias, não tem isso de "comer só um pouquinho" do que não pode...no jogo da Dukan, um pouquinho é "volte 3 casas". Sorry!
Enfim, só sei que ainda tenho algumas gordurinhas a eliminar (a maldita pochete!), e logo terei que retomar atividade física, e inserir itens aos poucos, balancear a alimentação, etc e tal...mas hoje estou bem contente e adaptada com essa dieta. Ainda tenho uma meta de usar um vestido lindo que minha mãe resgatou do baú esses dias...ele já fechou, mas quero que ele fique estonteante. Ela disse que vou ganhar presente se fechar...tomara que seja roupa, pois fiz promessa de não comprar peça alguma até o Natal, estou sofrendo horrores...mas em compensação estou cabendo em várias coisas legais que eu tinha abandonado no fundo do guarda-roupa. E essa sensação de "reciclagem" é tão boa quanto sair da loja cheia de sacolas...acreditem!
P.S. Como muitos me perguntam, vou postar o passo-a-passo que fiz (e que ainda não acabou!):
1) Saber que é a hora de começar! É o mais importante...não adianta começar sem estar disposta a se privar de algumas coisas, tem que ter muita força de vontade, independente da dieta que for fazer...muitas vezes queremos, sofremos, outras pessoas dizem, mas não adianta...não nos inspiramos naquele momento, pode ser algum fator externo, mas na maioria das vezes é que precisamos nos acertar internamente...
2) Dar uma pesquisada se é a dieta certa pra você...quem não come carne e ovo fica bem difícil...e também faça seus exames regulares antes, para garantir que está tudo bem com seu organismo para iniciar uma dieta deste tipo...
3) Fazer o diagnóstico no site oficial: www.dietadukan.com.br e ver uma estimativa do seu peso ideal, e quanto tempo deverá passar em cada fase. Eles vão te oferecer um acompanhamento pago, eu não paguei, segui por conta própria...
4) Dá uma olhada no site www.dietadukanreceitas.com.br e veja o que pode, e o que não pode em cada fase, tem também diversas receitas e sugestões de cardápio por fase. Passe no supermercado e faça uma compra focada na dieta, e programe suas próximas refeições, seja em casa ou fora, já se prepare psicologicamente o que pretende comer...
5) COMEÇAR...e não importa o dia que for...nada de esperar a segunda-feira, ou o período da manhã, pode começar no meio da tarde de uma quinta, em um sábado a noite, determinação é isso!
6) A primeira fase, o Ataque, é a pior, depende do quanto quer eliminar, ela pode durar até 1 semana. Não é permitido verduras e legumes, então você come proteína o tempo todo. Você está "ensinando" seu corpo a queimar a reserva que ele tem...no começo pode sentir um pouco de fraqueza, mas passa, e depois você se sentirá melhor que antes...de verdade! Sem contar que a gente realmente murcha nesta primeira semana, é nítido...e isso só dá mais estímulo para continuar...não é mesmo?
7) A segunda fase, a Cruzeiro, é a mais longa...e é onde devemos usar e abusar da criatividade pra driblar a vontade de carboidrato e doce (no meu caso, na TPM), e fazer as receitas do site que mencionei acima...eu não saí desta fase ainda, pois tenho mais 3 kg pra eliminar...então daqui pra frente, não tenho ainda o que falar...mas depois prometo falar sobre as fases de Consolidação e Estabilização, ok?
Boa sorte !!! E não se esqueçam...FOCO...porque um mero pão de queijo pode te fazer voltar 3 casas, ou seja, lá se foram 2, 3 dias de dieta!!
Brasileira, mas desisto às vezes - pois infelizmente tem coisas e pessoas que não valem a pena o esforço...
quarta-feira, outubro 09, 2013
quinta-feira, janeiro 24, 2013
Era uma vez...
...um lugarzinho no meio do nada. Mentira, era no meio de tudo! De tudo o que há de mais bacana para um estudante. Ficava a duas quadras da estação Central Square. Estação que separa simplesmente MIT e Harvard. E eis que fui parar lá. Há exatamente 10 anos.
Aos 23 anos eu resolvi realizar o sonho de estudar fora, e me candidatei a uma vaga para um curso de extensão em comunicação. Procurei vários, mas quando encontrei esse, os outros sumiram da minha mente. Eu queria ele. Acho que deixei a mulher da secretaria louca de tantos e-mails e telefonemas, até que ela me respondeu que o conselho me aprovou, mas estavam com receio porque no curso não havia estrangeiros que morassem fora dos EUA, e que apesar de eu ter comprovado proficiência no exame, eu ainda teria dificuldade com a língua, afinal o curso era comunicação. Receio e dificuldade, palavras mágicas...hum, desafio? Tô dentro!
Não foi fácil. Toda vez que vou a Cumbica me lembro do momento que virei as costas para minha família e amigos que estavam lá se despedindo, e adentrei a fila da Receita Federal. Ao chegar ao portão de embarque eu desmontei, literalmente. Agachei encostada na pilastra e chorei igual criança. Não teve quem não olhou, e um segurança veio me perguntar se estava tudo bem. Não estava. Mas eu sabia que iria ficar. Foi uma escolha minha. Realizar sonhos, na maioria das vezes, requer enfrentar um caminho cheio de pesadelos. E ficar tão longe das pessoas que amo foi o maior deles.
Ao chegar em Boston eu tive um anjo chamado Gisele que me recebeu em sua casa até liberarem o apartamento que ela tinha alugado para mim. Ela e sua família tornaram tão mais fácil o primeiro impacto da adaptação a uma vida nova. Serei eternamente grata por chegar em um local estranho, a 5 graus negativos e muita neve, e encontrar um lar cheio de amor tupiniquim (e caipira como eu!).
Depois de uma semana, lá estava meu apartamento me esperando. mas eu tinha que comprar móveis, utensílios, etc. E como carregar? Lá nada é simples, e ninguém te ajuda. Resultado: aluguei um caminhão. Feliz da vida com essa solução, o cara me dá a chave do mesmo e pede para devolver no final do dia. Sim, eu tinha que dirigi-lo! E lá fui eu me sentindo a Sula Miranda, parando em Wal Mart, Target, Home Depot e "decorando" a minha casa, carregando no caminhão, e descarregando no apartamento. A esta altura eu suava como se estivesse no verão da Bahia. E enfim, fui devolver o caminhão, e tive a grata surpresa de me deparar com a linda e simpática neve. Se dirigir um caminhão era novidade, imagina dirigi-lo na neve? E pelo visto eu não era a única com pouca experiência, porque de repente em um cruzamento, perdida, um sedan não consegue frear e bate com tudo na minha lateral. Coitado do cara, assustou mais com a garota Brasileira aos prantos descendo do caminhão, do que com a batida. Ainda bem que lá tudo funciona e no fim deu tudo certo. Lembro de ligar para meus pais depois de desencaixotar tudo no apartamento, feliz da vida, com aquele sentimento delicioso de "eu consegui".
E aí começam as aulas, e realmente só tinham gringos. Quer dizer, a gringa ali era eu. Enfim, vocês entenderam. E era uma delícia, fazíamos trabalho de campo, entrevistávamos pessoas na rua, criávamos texto e líamos em voz alta, todos comentavam, davam idéias. E acabava a aula, e ninguém queria saber mais nada da minha vida. Eu me tornava uma estranha. Uma estranha que voltava sozinha de metrô para sua casa sem abrir a boca. Engraçado que minha vontade de interagir era tanta que o cara no guichê do metrô falava o automático "Oi, td bem?" e eu respondia "Tudo e vc?". Ele assustou, afinal americanos não estão acostumados com isso, e no terceiro dia começou a me paquerar e me dar passagens de graça. Morri de medo e passei a comprar na máquina direto. Malditas Brasileiras piriguetes em busca de green card que ferram nossa imagem lá fora. Não podia nem sorrir para os caras que eles achavam que já queria algo mais. Fiquei traumatizada.
E aí, eu que sempre tive uma vida social agitada, me via passando noites e noites trancafiada, vendo a neve subir na minha janela (eu morava no térreo), e comunicando com o Brasil por MSN. Até que escolhi uma disciplina de negócios e a turma era enorme, aula no auditório, e em um momento resolveram dividir em turmas menores. Eu sento e coloco a placa do meu nome na minha frente, e olho a garota ao lado: Renata. Nos entreolhamos e nos identificamos. Brasileiras, claro. De novo, do interior. Mais ainda, frequentávamos o mesmo dentista (ainda não sei como esse assunto surgiu logo de cara!) e o pai dela havia construído um consultório em forma de castelinho na esquina da minha casa em Rio Preto, onde eu sempre ia brincar quando pequena. Foi amizade eterna a primeira vista. E uma nova vida social pra mim em Boston. A Renata morava lá há anos e conhecia tudo e todos, e fizemos uma turma sensacional, da qual saiu inclusive o casamento dela com o Colin, do qual tenho maior orgulho de ser madrinha no civil e no religioso. Eu poderia passar horas descrevendo as inúmeras palhaçadas que aprontamos, como churrasco Brasileiro na minúscula varanda nevando, as noites de quarta no Pravda e de sábado na Venu, onde a tradição era virar uma bebida azul chamada "Mongolian Motherfucker". Saudades dessa disposição!
Após dois meses por lá, já mais adaptada, comecei a me incomodar de ficar sem produzir. Eu precisava trabalhar. Mas em que? Eu sempre fui imprestável para qualquer tipo de trabalho manual, ou que exija coordenação motora. E emprego na minha área, para uma estrangeira com visto estudante, seria bem difícil. Mas comecei a me enfiar em palestras gratuitas e descobri que havia uma comunidade Brasileira gigante na área, e que eles atuavam em diversas áreas. Até que descobri um grupo de voluntários maravilhosos, que fazia ações de prevenção a HIV e suporte a famílias de usuários de drogas, e marquei de falar com a coordenadora. Eles estavam produzindo um filme, e logo eu já estava ajudando com a legenda e divulgação. Tinha encontro às quartas e eu me perguntava se estava ajudando mesmo, ou sendo ajudada, de tanto que me fazia bem frequentar aquele grupo, conversar com aquelas pessoas maravilhosas. Cada história de Brasileiro que largou tudo e foi arriscar a vida por lá, trabalhando em 3, 4 empregos, morrendo de saudade e de medo por não estar legalizado, mas ainda tinha tempo para se dedicar ao grupo e ajudar o próximo.
E aí que surgiu uma vaga para coordenadora da Câmara de Comércio Brasil-EUA na região. Era um startup, uma iniciativa do consulado com alguns empresários que atuavam por lá. Fui fazer entrevista e me escolheram. De repente eu estava trabalhando na minha área, sendo remunerada, e ainda por cima ajudando micro empresários Brasileiros que precisavam de suporte administrativo para se estruturarem na América. Foi um presente de Deus, só pode. Tive até a oportunidade de conhecer um cara que admiro muito, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Finalmente eu tinha estruturado a minha vida por lá, comprei meu carro e era independente novamente. Ah, como eu gosto disso...mesmo com todos os tropeços que a vida pode nos dar, como viajar um final de semana e encontrar na volta apenas a antena do carro aparecendo em meio a uma montanha de neve, e ter que comprar uma pá e "desenterrá-lo" sozinha, sem passar um tiozinho na rua se oferecendo para ajudar, ou ainda quebrar a descarga do seu único banheiro e você ter que desmontá-la, descobrir a peça que deve trocar, pedir em inglês para o cara na loja e instalar.
E tinha a parte maravilhosa, como o fato de New York estar a mesma distância de São Paulo-Rio Preto, além das inúmeras estações de ski e outlets nos arredores, e a própria Boston ser linda e rica histórica, cultural e gastronomicamente. Meus pais foram me visitar e ficaram encantados. Mas a dor de vê-los embarcar doeu e me fez chorar tudo de novo no estacionamento do aeroporto. A vida estava ótima, mas não estava completa. E nunca estaria por lá.
Enfim, resolvi escrever hoje, porque passada uma década, não consigo imaginar minha vida sem ter vivido essa experiência. O curso foi ótimo, Harvard é inexplicável, mas o aprendizado além acadêmico foi incomparável. Após um ano vivendo lá, tive a oportunidade de ficar, mas preferi voltar. Não me arrependo. O ano de 2003 foi o mais importante da minha vida, e saí de Boston no auge, eternizando assim esse momento ímpar. No meu último mês lá, meus sobrinhos mais velhos ficaram comigo, estudando inglês. Nunca esqueço que ao fechar a porta do meu apartamento, chorando (de novo!), eles me abraçaram e me parabenizaram. Viram que não era fácil. Mas faria tudo de novo, sem alterar uma vírgula. Nunca mais voltei, sei que não será a mesma coisa. Mas acho que não passo um dia sequer sem citar ou lembrar de algo que vivi e aprendi por lá...
Aos 23 anos eu resolvi realizar o sonho de estudar fora, e me candidatei a uma vaga para um curso de extensão em comunicação. Procurei vários, mas quando encontrei esse, os outros sumiram da minha mente. Eu queria ele. Acho que deixei a mulher da secretaria louca de tantos e-mails e telefonemas, até que ela me respondeu que o conselho me aprovou, mas estavam com receio porque no curso não havia estrangeiros que morassem fora dos EUA, e que apesar de eu ter comprovado proficiência no exame, eu ainda teria dificuldade com a língua, afinal o curso era comunicação. Receio e dificuldade, palavras mágicas...hum, desafio? Tô dentro!
Não foi fácil. Toda vez que vou a Cumbica me lembro do momento que virei as costas para minha família e amigos que estavam lá se despedindo, e adentrei a fila da Receita Federal. Ao chegar ao portão de embarque eu desmontei, literalmente. Agachei encostada na pilastra e chorei igual criança. Não teve quem não olhou, e um segurança veio me perguntar se estava tudo bem. Não estava. Mas eu sabia que iria ficar. Foi uma escolha minha. Realizar sonhos, na maioria das vezes, requer enfrentar um caminho cheio de pesadelos. E ficar tão longe das pessoas que amo foi o maior deles.
Ao chegar em Boston eu tive um anjo chamado Gisele que me recebeu em sua casa até liberarem o apartamento que ela tinha alugado para mim. Ela e sua família tornaram tão mais fácil o primeiro impacto da adaptação a uma vida nova. Serei eternamente grata por chegar em um local estranho, a 5 graus negativos e muita neve, e encontrar um lar cheio de amor tupiniquim (e caipira como eu!).
Depois de uma semana, lá estava meu apartamento me esperando. mas eu tinha que comprar móveis, utensílios, etc. E como carregar? Lá nada é simples, e ninguém te ajuda. Resultado: aluguei um caminhão. Feliz da vida com essa solução, o cara me dá a chave do mesmo e pede para devolver no final do dia. Sim, eu tinha que dirigi-lo! E lá fui eu me sentindo a Sula Miranda, parando em Wal Mart, Target, Home Depot e "decorando" a minha casa, carregando no caminhão, e descarregando no apartamento. A esta altura eu suava como se estivesse no verão da Bahia. E enfim, fui devolver o caminhão, e tive a grata surpresa de me deparar com a linda e simpática neve. Se dirigir um caminhão era novidade, imagina dirigi-lo na neve? E pelo visto eu não era a única com pouca experiência, porque de repente em um cruzamento, perdida, um sedan não consegue frear e bate com tudo na minha lateral. Coitado do cara, assustou mais com a garota Brasileira aos prantos descendo do caminhão, do que com a batida. Ainda bem que lá tudo funciona e no fim deu tudo certo. Lembro de ligar para meus pais depois de desencaixotar tudo no apartamento, feliz da vida, com aquele sentimento delicioso de "eu consegui".
E aí começam as aulas, e realmente só tinham gringos. Quer dizer, a gringa ali era eu. Enfim, vocês entenderam. E era uma delícia, fazíamos trabalho de campo, entrevistávamos pessoas na rua, criávamos texto e líamos em voz alta, todos comentavam, davam idéias. E acabava a aula, e ninguém queria saber mais nada da minha vida. Eu me tornava uma estranha. Uma estranha que voltava sozinha de metrô para sua casa sem abrir a boca. Engraçado que minha vontade de interagir era tanta que o cara no guichê do metrô falava o automático "Oi, td bem?" e eu respondia "Tudo e vc?". Ele assustou, afinal americanos não estão acostumados com isso, e no terceiro dia começou a me paquerar e me dar passagens de graça. Morri de medo e passei a comprar na máquina direto. Malditas Brasileiras piriguetes em busca de green card que ferram nossa imagem lá fora. Não podia nem sorrir para os caras que eles achavam que já queria algo mais. Fiquei traumatizada.
E aí, eu que sempre tive uma vida social agitada, me via passando noites e noites trancafiada, vendo a neve subir na minha janela (eu morava no térreo), e comunicando com o Brasil por MSN. Até que escolhi uma disciplina de negócios e a turma era enorme, aula no auditório, e em um momento resolveram dividir em turmas menores. Eu sento e coloco a placa do meu nome na minha frente, e olho a garota ao lado: Renata. Nos entreolhamos e nos identificamos. Brasileiras, claro. De novo, do interior. Mais ainda, frequentávamos o mesmo dentista (ainda não sei como esse assunto surgiu logo de cara!) e o pai dela havia construído um consultório em forma de castelinho na esquina da minha casa em Rio Preto, onde eu sempre ia brincar quando pequena. Foi amizade eterna a primeira vista. E uma nova vida social pra mim em Boston. A Renata morava lá há anos e conhecia tudo e todos, e fizemos uma turma sensacional, da qual saiu inclusive o casamento dela com o Colin, do qual tenho maior orgulho de ser madrinha no civil e no religioso. Eu poderia passar horas descrevendo as inúmeras palhaçadas que aprontamos, como churrasco Brasileiro na minúscula varanda nevando, as noites de quarta no Pravda e de sábado na Venu, onde a tradição era virar uma bebida azul chamada "Mongolian Motherfucker". Saudades dessa disposição!
Após dois meses por lá, já mais adaptada, comecei a me incomodar de ficar sem produzir. Eu precisava trabalhar. Mas em que? Eu sempre fui imprestável para qualquer tipo de trabalho manual, ou que exija coordenação motora. E emprego na minha área, para uma estrangeira com visto estudante, seria bem difícil. Mas comecei a me enfiar em palestras gratuitas e descobri que havia uma comunidade Brasileira gigante na área, e que eles atuavam em diversas áreas. Até que descobri um grupo de voluntários maravilhosos, que fazia ações de prevenção a HIV e suporte a famílias de usuários de drogas, e marquei de falar com a coordenadora. Eles estavam produzindo um filme, e logo eu já estava ajudando com a legenda e divulgação. Tinha encontro às quartas e eu me perguntava se estava ajudando mesmo, ou sendo ajudada, de tanto que me fazia bem frequentar aquele grupo, conversar com aquelas pessoas maravilhosas. Cada história de Brasileiro que largou tudo e foi arriscar a vida por lá, trabalhando em 3, 4 empregos, morrendo de saudade e de medo por não estar legalizado, mas ainda tinha tempo para se dedicar ao grupo e ajudar o próximo.
E aí que surgiu uma vaga para coordenadora da Câmara de Comércio Brasil-EUA na região. Era um startup, uma iniciativa do consulado com alguns empresários que atuavam por lá. Fui fazer entrevista e me escolheram. De repente eu estava trabalhando na minha área, sendo remunerada, e ainda por cima ajudando micro empresários Brasileiros que precisavam de suporte administrativo para se estruturarem na América. Foi um presente de Deus, só pode. Tive até a oportunidade de conhecer um cara que admiro muito, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Finalmente eu tinha estruturado a minha vida por lá, comprei meu carro e era independente novamente. Ah, como eu gosto disso...mesmo com todos os tropeços que a vida pode nos dar, como viajar um final de semana e encontrar na volta apenas a antena do carro aparecendo em meio a uma montanha de neve, e ter que comprar uma pá e "desenterrá-lo" sozinha, sem passar um tiozinho na rua se oferecendo para ajudar, ou ainda quebrar a descarga do seu único banheiro e você ter que desmontá-la, descobrir a peça que deve trocar, pedir em inglês para o cara na loja e instalar.
E tinha a parte maravilhosa, como o fato de New York estar a mesma distância de São Paulo-Rio Preto, além das inúmeras estações de ski e outlets nos arredores, e a própria Boston ser linda e rica histórica, cultural e gastronomicamente. Meus pais foram me visitar e ficaram encantados. Mas a dor de vê-los embarcar doeu e me fez chorar tudo de novo no estacionamento do aeroporto. A vida estava ótima, mas não estava completa. E nunca estaria por lá.
Enfim, resolvi escrever hoje, porque passada uma década, não consigo imaginar minha vida sem ter vivido essa experiência. O curso foi ótimo, Harvard é inexplicável, mas o aprendizado além acadêmico foi incomparável. Após um ano vivendo lá, tive a oportunidade de ficar, mas preferi voltar. Não me arrependo. O ano de 2003 foi o mais importante da minha vida, e saí de Boston no auge, eternizando assim esse momento ímpar. No meu último mês lá, meus sobrinhos mais velhos ficaram comigo, estudando inglês. Nunca esqueço que ao fechar a porta do meu apartamento, chorando (de novo!), eles me abraçaram e me parabenizaram. Viram que não era fácil. Mas faria tudo de novo, sem alterar uma vírgula. Nunca mais voltei, sei que não será a mesma coisa. Mas acho que não passo um dia sequer sem citar ou lembrar de algo que vivi e aprendi por lá...
terça-feira, novembro 13, 2012
Estimada Autoestima Alta
Estimada Autoestima Alta, gostaria de lhe convidar a passar esse resto de vida ao meu lado, uma vez que com você eu sinto que posso tudo, e que ninguém tem o direito de dizer o contrário. E se por acaso disserem, deixa que digam, que pensem, que falem...
Vai falar que não é verdade? Quando nossa autoestima está "bombando", pouco importa o que os outros pensam, dizem, fazem...pois a síndrome do "sou mais eu" está em toda parte...no trabalho, no amor, na saúde, no que der na telha. Acordamos felizes, dormimos tranquilos, encaramos as dificuldades com leveza, somos mais amorosos com todos a nossa volta, damos mais valor nas pequenas coisas...mas por que mesmo não conseguimos ser assim sempre?
Acho que até a Gisele Bundchen deve ter seu "bad hair day", que ela acorda e não se sente lá aquelas coisas...claro que facilita o fato do mundo inteiro achar que ela é sim lá essas coisas, mas muitas vezes nosso interior fica cego, surdo, mudo e principalmente teimoso. Quantas vezes você não saiu e viu um cara gato olhando e pensou "não é pra mim que ele ta olhando", mais fácil pensar assim do que ter que encarar esta dúvida e a possibilidade do não.
Se não conseguimos convencer nem a nós mesmas que temos alguma coisa boa, como convencer outras pessoas? Temos TPM, stress do dia a dia que acaba com nossa pele, a ansiedade transformada em comer como se não houvesse amanhã, unhas roídas, algumas preocupações que não nos fazem querer sair da cama, arrumar cabelo, se tornar desejada. E isso se torna uma bola de neve, pois os problemas nos transformam em uma pessoa que não gostamos, e aí olhamos no espelho e ficamos mais deprimidas, e então achamos que não merecemos nada de bom, e continuamos a nos afundar, e assim vai. Um negativismo em looping. Quem nunca?
Aí olhamos a vida alheia e a grama está mais verde, e achamos que por isso a pessoa está melhor que a gente. Será que não é o contrário? Por esta pessoa estar bem com ela mesma, ela acabou atraindo coisas boas? E já considerou que esta grama pode nem ser tão verde, talvez seja da mesma coloração que a sua, mas ela simplesmente a considera radiante e você acredita? É relativo. Posso garantir que tanto o trabalho quanto o amor e a família dessa pessoa tem dia que enche o saco, que traz problemas, que dá vontade de sair correndo. Não existe vida perfeita, existem níveis de tolerância a dificuldades, e a forma de responder a elas.
Dia desses o sábio e sensato psiquiatra Flávio Gikovate falava sobre autoestima no twitter...e foi bem um dia que eu estava cabisbaixa, em uma manhã tristonha após um sonho ruim, e resolvi escrever para ele que naquele dia minha autoestima estava no pé, ele na hora me surpreendeu com uma "Direct Message", a famosa DM que é a mensagem particular do twitter, dizendo "Então hoje é melhor não escolher nenhum parceiro sentimental.". Caiu como uma luva! Primeiro porque ele não tentou me animar com frases motivacionais dizendo que eu sairia dessa, mas de forma realista assumiu que tem dias que realmente não nos sentimos bem...e segundo, se eu não estou bem comigo, estarei com outra pessoa? Algo tão simples me rendeu uma boa reflexão: definitivamente a vida tem altos e baixos, para todo mundo, e no mínimo precisamos de um parceiro, como o próprio nome diz, disposto a esta parceria nos bons e maus momentos, alguém que nessas horas nos ajude a elevar de volta a autoestima...e que não sirva apenas para nos escorarmos nele.
Ah se eu soubesse a fórmula para manter por perto essa estimada autoestima alta...eu estaria bilionária. Mas não sei, e tem dia que a procuro em todo lugar e não a encontro. Mas não desisto. Ela sempre está por aqui, em algum lugar próximo (ou seria dentro?), peço pra São Longuinho que uma hora ela aparece. E a trato muito bem para que não me abandone por muito tempo...
Vai falar que não é verdade? Quando nossa autoestima está "bombando", pouco importa o que os outros pensam, dizem, fazem...pois a síndrome do "sou mais eu" está em toda parte...no trabalho, no amor, na saúde, no que der na telha. Acordamos felizes, dormimos tranquilos, encaramos as dificuldades com leveza, somos mais amorosos com todos a nossa volta, damos mais valor nas pequenas coisas...mas por que mesmo não conseguimos ser assim sempre?
Acho que até a Gisele Bundchen deve ter seu "bad hair day", que ela acorda e não se sente lá aquelas coisas...claro que facilita o fato do mundo inteiro achar que ela é sim lá essas coisas, mas muitas vezes nosso interior fica cego, surdo, mudo e principalmente teimoso. Quantas vezes você não saiu e viu um cara gato olhando e pensou "não é pra mim que ele ta olhando", mais fácil pensar assim do que ter que encarar esta dúvida e a possibilidade do não.
Se não conseguimos convencer nem a nós mesmas que temos alguma coisa boa, como convencer outras pessoas? Temos TPM, stress do dia a dia que acaba com nossa pele, a ansiedade transformada em comer como se não houvesse amanhã, unhas roídas, algumas preocupações que não nos fazem querer sair da cama, arrumar cabelo, se tornar desejada. E isso se torna uma bola de neve, pois os problemas nos transformam em uma pessoa que não gostamos, e aí olhamos no espelho e ficamos mais deprimidas, e então achamos que não merecemos nada de bom, e continuamos a nos afundar, e assim vai. Um negativismo em looping. Quem nunca?
Aí olhamos a vida alheia e a grama está mais verde, e achamos que por isso a pessoa está melhor que a gente. Será que não é o contrário? Por esta pessoa estar bem com ela mesma, ela acabou atraindo coisas boas? E já considerou que esta grama pode nem ser tão verde, talvez seja da mesma coloração que a sua, mas ela simplesmente a considera radiante e você acredita? É relativo. Posso garantir que tanto o trabalho quanto o amor e a família dessa pessoa tem dia que enche o saco, que traz problemas, que dá vontade de sair correndo. Não existe vida perfeita, existem níveis de tolerância a dificuldades, e a forma de responder a elas.
Dia desses o sábio e sensato psiquiatra Flávio Gikovate falava sobre autoestima no twitter...e foi bem um dia que eu estava cabisbaixa, em uma manhã tristonha após um sonho ruim, e resolvi escrever para ele que naquele dia minha autoestima estava no pé, ele na hora me surpreendeu com uma "Direct Message", a famosa DM que é a mensagem particular do twitter, dizendo "Então hoje é melhor não escolher nenhum parceiro sentimental.". Caiu como uma luva! Primeiro porque ele não tentou me animar com frases motivacionais dizendo que eu sairia dessa, mas de forma realista assumiu que tem dias que realmente não nos sentimos bem...e segundo, se eu não estou bem comigo, estarei com outra pessoa? Algo tão simples me rendeu uma boa reflexão: definitivamente a vida tem altos e baixos, para todo mundo, e no mínimo precisamos de um parceiro, como o próprio nome diz, disposto a esta parceria nos bons e maus momentos, alguém que nessas horas nos ajude a elevar de volta a autoestima...e que não sirva apenas para nos escorarmos nele.
Ah se eu soubesse a fórmula para manter por perto essa estimada autoestima alta...eu estaria bilionária. Mas não sei, e tem dia que a procuro em todo lugar e não a encontro. Mas não desisto. Ela sempre está por aqui, em algum lugar próximo (ou seria dentro?), peço pra São Longuinho que uma hora ela aparece. E a trato muito bem para que não me abandone por muito tempo...
terça-feira, outubro 02, 2012
50 tons de medo!
A própria palavra medo já nos dá medo. Mas é fato, o ser humano é feito de medos. De diferentes tipos de medos. Inclusive o medo de admitir que tem medo. Sou dessas.
Quem me olha me acha forte, corajosa, independente, destemida. Mentira. Sou medrosa. Muito medrosa. Em muitas coisas sou conservadora...por medo de arriscar. Tenho medo de perder, medo de ganhar, medo de empatar e ficar na mesma. E por tudo isso, tenho medo de jogar. Mas jogo. Me jogo. No trabalho, nas relações, nos amores, na vida. Mas no meu travesseiro, calada, morro de medo.
Se eu disser que toda vez que entro em um avião eu não sinto medo, estaria mentindo. Adoro andar de avião e faço isso bastante, principalmente por causa do trabalho...mas sinto frio na barriga toda vez. Agora medo mesmo, no pior sentido da fobia eu sinto por transportes aquáticos. Sinto pavor. Mas vou. Enfrento. Poucas pessoas me viram neste momento, e posso dizer que todas ficaram assustadas. Me transformo, viro outra pessoa. Sou um ser transparente que não tem medo de assumir que sente medo, é nítido no meu olhar, na rigidez do meu corpo, nas mãos geladas e no silêncio. Esse meu medo se solta e se expressa livremente, ao contrário dos meus outros medos.
Recentemente, como a maioria das mulheres, eu me rendi à trilogia dos "50 tons"...viciei, choquei, apaixonei, sonhei diversas noites com Christian Grey, e assim como Anastasia Steele, senti 50 tons de medo. O medo de me envolver com alguém louco, e ao mesmo tempo o medo de perder alguém que muitas vezes me parece perfeito. O medo de encontrar alguém que tenha medo de se doar ao amor, ou ainda que outro alguém descubra que na verdade sou eu que tenho medo de me entregar a este bicho. O medo da dor, e até da falta dela. Medo da decepção. Pavor daquele olhar mortal de quem ama decepcionado com você.
E que atire a primeira pedra quem não tem medo de estar seguindo uma trilha errada no caminho da vida. Me questiono todo dia se meu GPS interno está me levando ao destino que almejo. E o medo de recalcular a rota, ou pior, de perder a comunicação com o satélite e seguir pra sempre extraviada. Qual é o caminho certo? Medo de nunca ter essa resposta. Peço à Deus que ilumine este caminho, mas nem só da escuridão eu sinto medo. Tanta maldade vemos acontecer em plena luz do dia. Medo dessas pessoas. Medo de acontecimentos que muitas vezes distorcem valores que julgamos corretos. Medo do destino. Medo de não haver destino. Medo de minhas reações a injustiças que presencio. Medo de mim. Medo de deixar de ser eu.
Medo...ah eu temo admitir, mas sou feita de diversos tipos deles. E quem não é?
Quem me olha me acha forte, corajosa, independente, destemida. Mentira. Sou medrosa. Muito medrosa. Em muitas coisas sou conservadora...por medo de arriscar. Tenho medo de perder, medo de ganhar, medo de empatar e ficar na mesma. E por tudo isso, tenho medo de jogar. Mas jogo. Me jogo. No trabalho, nas relações, nos amores, na vida. Mas no meu travesseiro, calada, morro de medo.
Se eu disser que toda vez que entro em um avião eu não sinto medo, estaria mentindo. Adoro andar de avião e faço isso bastante, principalmente por causa do trabalho...mas sinto frio na barriga toda vez. Agora medo mesmo, no pior sentido da fobia eu sinto por transportes aquáticos. Sinto pavor. Mas vou. Enfrento. Poucas pessoas me viram neste momento, e posso dizer que todas ficaram assustadas. Me transformo, viro outra pessoa. Sou um ser transparente que não tem medo de assumir que sente medo, é nítido no meu olhar, na rigidez do meu corpo, nas mãos geladas e no silêncio. Esse meu medo se solta e se expressa livremente, ao contrário dos meus outros medos.
Recentemente, como a maioria das mulheres, eu me rendi à trilogia dos "50 tons"...viciei, choquei, apaixonei, sonhei diversas noites com Christian Grey, e assim como Anastasia Steele, senti 50 tons de medo. O medo de me envolver com alguém louco, e ao mesmo tempo o medo de perder alguém que muitas vezes me parece perfeito. O medo de encontrar alguém que tenha medo de se doar ao amor, ou ainda que outro alguém descubra que na verdade sou eu que tenho medo de me entregar a este bicho. O medo da dor, e até da falta dela. Medo da decepção. Pavor daquele olhar mortal de quem ama decepcionado com você.
E que atire a primeira pedra quem não tem medo de estar seguindo uma trilha errada no caminho da vida. Me questiono todo dia se meu GPS interno está me levando ao destino que almejo. E o medo de recalcular a rota, ou pior, de perder a comunicação com o satélite e seguir pra sempre extraviada. Qual é o caminho certo? Medo de nunca ter essa resposta. Peço à Deus que ilumine este caminho, mas nem só da escuridão eu sinto medo. Tanta maldade vemos acontecer em plena luz do dia. Medo dessas pessoas. Medo de acontecimentos que muitas vezes distorcem valores que julgamos corretos. Medo do destino. Medo de não haver destino. Medo de minhas reações a injustiças que presencio. Medo de mim. Medo de deixar de ser eu.
Medo...ah eu temo admitir, mas sou feita de diversos tipos deles. E quem não é?
quinta-feira, julho 26, 2012
Homenagem ao Dia dos Avós
Uma data que nunca guardo, mas hoje é dia dos avós, e resolvi escrever sobre essas pessoas fofas, que todos nós esperamos nos tornar um dia. Não conseguirei fugir do clichê de que avós são pais duas vezes, e muito menos de que "casa de vó" é um dos lugares mais maravilhosos que existe. Todos nós temos quatro deles, alguns tem a sorte de ter mais que isso, muitos não conhecem os quatro, às vezes nenhum, mas espero que encontrem alguém para lhe dar este carinho, este colo gostoso.
Eu não conheci meu avô paterno, na verdade meu pai pouco o conheceu também, o perdeu aos 13 anos de idade, porém nunca conviveu com ele. Não, ele não abandonou a família, ele sofreu com uma doença muito triste da época, a lepra (ou hanseníase), que as pessoas julgavam infecciosas e o obrigou a se afastar de todas as pessoas que amava. Sempre penso nele, neste sacrifício horroroso ao qual ele foi obrigado a se submeter. Meu pai, o caçula dos 5 filhos, tinha meses de vida, e ele lhe escrevia cartas cheias de carinho e tentando educá-lo a distância, muitas estão guardadas até hoje. Ele tem um pequeno livro impresso que relata parte de sua vida, simples, lindo e emocionante. Acho que puxei pra ele essa mania de desabafar escrevendo. Dos "causos", sempre lembro do trem que ele pegou e as pessoas quiseram lhe expulsar, sendo que as únicas a defendê-lo foram as prostitutas, e ele deixou isso registrado para mostrar que elas, tão desprezadas e julgadas, se mostraram muito mais humanas que qualquer outra pessoa. A seu Sebastião de Paula Braga, minha eterna admiração e um sentimento forte de saudade de quem nunca olhei nos olhos.
Se o avô paterno teve que se ausentar, minha admiração dobrada para a mulher que aguentou tudo sozinha, minha vó Ritinha. Já ouvi diversas vezes que me pareço com ela, branquinha, dócil na aparência, mas extremamente exigente e brava quando mexiam com ela ou com sua "cria". Com o afastamento do meu avô, os familiares quiseram separar seus filhos, alegando que ela não conseguiria cuidar de todos sozinha. Dizem que ela virou uma onça e não aceitou de maneira alguma. Passou a costurar para ganhar a vida, meu pai pequeno lhe ajudava a fazer entregas, os filhos mais velhos começaram a trabalhar. Passaram inúmeras dificuldades financeiras, desejos de ter o que os primos tinham, não tinham sapato para calçar...mas se perguntar para qualquer um deles, todos dirão que ela tomou a decisão certa: a união da família em primeiro lugar. E em termos de educação, ela sempre foi muito rígida, e criou seres humanos exemplares, na minha opinião. Meu pai sempre conta que morria de medo de desobedecê-la, que uma vez estava na fazenda de seus avós e disse que voltaria tal dia, perdeu a hora nadando no rio e lá se foi o último trem. Voltou a pé, em uma estrada que se dizia mal assombrada, enfrentou "fantasmas" mas não enfrentou dona Rita. Valores passados a nós posteriormente, ou seja, um relacionamento baseado em confiança. Tive o prazer de conhecê-la, por 6 anos apenas, mas lembro do cheiro da sua casa, do sorriso ao me ver chegar (a caçula dos 17 netos), do orgulho que sentia do meu pai. À dona Rita Luz Braga, um sentimento forte de saudade e de vontade de ter convivido e aprendido mais com ela.
Ao espanhol "mala raza" do meu avô materno eu já até fiz um post exclusivo (http://feluzbraga.blogspot.com/2010/07/origem-do-meu-sangue-espanholole.html), a figura merece. Filho de espanhóis, era uma criatura muito agradável, de alegria contagiante, bem cabeça dura também, mas na maioria das vezes tinha razão, seu senso de justiça era implacável. Tinha mais pose de durão do que realmente era, no fundo fazia tudo para suas filhas, netos e esposa. Suas pérolas são constantemente lembradas na família. Dançava como ninguém...ah que delícia ter tido a oportunidade de tê-lo em minha valsa de 15 anos. Pouco tempo depois ele me ensinou a cheirar lança perfume em casa: "você vai encontrar por aí, e não quero que caia no salão quando for experimentar". Pode parecer um absurdo hoje, mas para ele era algo comum, veio de uma geração que conviveu com isso em bailes de carnaval como se fosse cerveja. Enfim, foi a única droga ilícita que experimentei até hoje...e devo em grande parte a ele, por ter "desmitificado" isso em casa, de forma natural, mostrando que não é nada demais, e que não precisamos disso para ser feliz. Teve a alegria nitidamente e eternamente abalada pela perda de sua filha do meio, por câncer em 1991, e desejou tanto morrer em seu lugar, que Deus o levou repentinamente em 1999. Dia de enorme tristeza, estávamos todos na estrada indo festejar com a família Luz Braga e voltamos às pressas. Ainda não assimilei muito bem esse dia, parecia um pesadelo. Ao seu Irineu Gomes, meus agradecimentos pelas sábias palavras e ensinamentos, e uma saudade sem fim.
Sabe aquela vovozinha fofa, que não vê defeito nos netos e que está sempre pronta para nos proteger? Essa é a dona Tita! Engraçadíssima, sempre adorou passar "trotes" nos amigos das filhas, se pintava de homem mal encarado, vestia máscaras e dava sustos na molecada no quintal. Adorava organizar festinhas de aniversário, imaginar vestidos e fantasias para os bailes, fazer biquinhos de crochê nas toalhas, não perdia uma viagem de carro em família, apesar de nunca ter dirigido. Quanto aos estudos, minha mãe repetia de ano e ela dizia "ano que vem você passa", e assinava nossas provas e bilhetes da escola quando precisava, com uma letrinha linda de menina. A casa dela em Nova Granada era uma delícia, reuníamos os primos nas férias, brigávamos pelas canecas que ela marcava com nossa inicial para não confundirmos, o cheiro de sua esfiha tomava conta da casa, e ela sempre enfiava um dinheirinho escondido nas nossas coisas. Os meninos aprontavam, chegaram até a colocar fogo no vaso de plumas da sala, mas ela sempre os defendia. Talvez por não ter tido filhos homens, os netos eram seus "preferidos", mas no bom sentido, pois nunca faltou amor para as netas, e nem enxoval (sim, tenho o meu guardado, amarelado já...rs). Após a morte do vô ela sofreu muito, não sabia se virar, era ele quem fazia tudo para ela. Foi morar com minha mãe, começou a ter dificuldade de andar, a levamos para um cruzeiro com o suporte de uma cadeira de rodas, ela se divertiu horrores, e eu mais ainda pois dividi a cabine com ela. Hoje, prestes a completar 91 anos, ela sofre com essa lamentável doença chamada Alzheimer. Está em um estágio avançado da doença, padecendo na cama, falando pouco, com quase nada de consciência. Mas de vez em quando ainda pergunta se casei (risos). Semana passada ouvi minha mãe dizer para ela "Mamãe, você não me reconhece, né? Mas o importante é que eu sei quem você é, viu...é minha mãe adorada....". Chorei muito. Triste vê-la nesse estado, mas é sempre bom vê-la, tocá-la, beijá-la. À dona Angelina Fonseca Gomes, todo meu amor e meus parabéns pelo seu dia, e eternos agradecimentos por ter sempre exercido o papel de avó brilhantemente, como manda o figurino.
Beijos a todos os avós...aproveito para parabenizar meus pais, Iraí e Roberto, pelos avós presentes, dedicados e amorosos que são!
Eu não conheci meu avô paterno, na verdade meu pai pouco o conheceu também, o perdeu aos 13 anos de idade, porém nunca conviveu com ele. Não, ele não abandonou a família, ele sofreu com uma doença muito triste da época, a lepra (ou hanseníase), que as pessoas julgavam infecciosas e o obrigou a se afastar de todas as pessoas que amava. Sempre penso nele, neste sacrifício horroroso ao qual ele foi obrigado a se submeter. Meu pai, o caçula dos 5 filhos, tinha meses de vida, e ele lhe escrevia cartas cheias de carinho e tentando educá-lo a distância, muitas estão guardadas até hoje. Ele tem um pequeno livro impresso que relata parte de sua vida, simples, lindo e emocionante. Acho que puxei pra ele essa mania de desabafar escrevendo. Dos "causos", sempre lembro do trem que ele pegou e as pessoas quiseram lhe expulsar, sendo que as únicas a defendê-lo foram as prostitutas, e ele deixou isso registrado para mostrar que elas, tão desprezadas e julgadas, se mostraram muito mais humanas que qualquer outra pessoa. A seu Sebastião de Paula Braga, minha eterna admiração e um sentimento forte de saudade de quem nunca olhei nos olhos.
Se o avô paterno teve que se ausentar, minha admiração dobrada para a mulher que aguentou tudo sozinha, minha vó Ritinha. Já ouvi diversas vezes que me pareço com ela, branquinha, dócil na aparência, mas extremamente exigente e brava quando mexiam com ela ou com sua "cria". Com o afastamento do meu avô, os familiares quiseram separar seus filhos, alegando que ela não conseguiria cuidar de todos sozinha. Dizem que ela virou uma onça e não aceitou de maneira alguma. Passou a costurar para ganhar a vida, meu pai pequeno lhe ajudava a fazer entregas, os filhos mais velhos começaram a trabalhar. Passaram inúmeras dificuldades financeiras, desejos de ter o que os primos tinham, não tinham sapato para calçar...mas se perguntar para qualquer um deles, todos dirão que ela tomou a decisão certa: a união da família em primeiro lugar. E em termos de educação, ela sempre foi muito rígida, e criou seres humanos exemplares, na minha opinião. Meu pai sempre conta que morria de medo de desobedecê-la, que uma vez estava na fazenda de seus avós e disse que voltaria tal dia, perdeu a hora nadando no rio e lá se foi o último trem. Voltou a pé, em uma estrada que se dizia mal assombrada, enfrentou "fantasmas" mas não enfrentou dona Rita. Valores passados a nós posteriormente, ou seja, um relacionamento baseado em confiança. Tive o prazer de conhecê-la, por 6 anos apenas, mas lembro do cheiro da sua casa, do sorriso ao me ver chegar (a caçula dos 17 netos), do orgulho que sentia do meu pai. À dona Rita Luz Braga, um sentimento forte de saudade e de vontade de ter convivido e aprendido mais com ela.
Ao espanhol "mala raza" do meu avô materno eu já até fiz um post exclusivo (http://feluzbraga.blogspot.com/2010/07/origem-do-meu-sangue-espanholole.html), a figura merece. Filho de espanhóis, era uma criatura muito agradável, de alegria contagiante, bem cabeça dura também, mas na maioria das vezes tinha razão, seu senso de justiça era implacável. Tinha mais pose de durão do que realmente era, no fundo fazia tudo para suas filhas, netos e esposa. Suas pérolas são constantemente lembradas na família. Dançava como ninguém...ah que delícia ter tido a oportunidade de tê-lo em minha valsa de 15 anos. Pouco tempo depois ele me ensinou a cheirar lança perfume em casa: "você vai encontrar por aí, e não quero que caia no salão quando for experimentar". Pode parecer um absurdo hoje, mas para ele era algo comum, veio de uma geração que conviveu com isso em bailes de carnaval como se fosse cerveja. Enfim, foi a única droga ilícita que experimentei até hoje...e devo em grande parte a ele, por ter "desmitificado" isso em casa, de forma natural, mostrando que não é nada demais, e que não precisamos disso para ser feliz. Teve a alegria nitidamente e eternamente abalada pela perda de sua filha do meio, por câncer em 1991, e desejou tanto morrer em seu lugar, que Deus o levou repentinamente em 1999. Dia de enorme tristeza, estávamos todos na estrada indo festejar com a família Luz Braga e voltamos às pressas. Ainda não assimilei muito bem esse dia, parecia um pesadelo. Ao seu Irineu Gomes, meus agradecimentos pelas sábias palavras e ensinamentos, e uma saudade sem fim.
Sabe aquela vovozinha fofa, que não vê defeito nos netos e que está sempre pronta para nos proteger? Essa é a dona Tita! Engraçadíssima, sempre adorou passar "trotes" nos amigos das filhas, se pintava de homem mal encarado, vestia máscaras e dava sustos na molecada no quintal. Adorava organizar festinhas de aniversário, imaginar vestidos e fantasias para os bailes, fazer biquinhos de crochê nas toalhas, não perdia uma viagem de carro em família, apesar de nunca ter dirigido. Quanto aos estudos, minha mãe repetia de ano e ela dizia "ano que vem você passa", e assinava nossas provas e bilhetes da escola quando precisava, com uma letrinha linda de menina. A casa dela em Nova Granada era uma delícia, reuníamos os primos nas férias, brigávamos pelas canecas que ela marcava com nossa inicial para não confundirmos, o cheiro de sua esfiha tomava conta da casa, e ela sempre enfiava um dinheirinho escondido nas nossas coisas. Os meninos aprontavam, chegaram até a colocar fogo no vaso de plumas da sala, mas ela sempre os defendia. Talvez por não ter tido filhos homens, os netos eram seus "preferidos", mas no bom sentido, pois nunca faltou amor para as netas, e nem enxoval (sim, tenho o meu guardado, amarelado já...rs). Após a morte do vô ela sofreu muito, não sabia se virar, era ele quem fazia tudo para ela. Foi morar com minha mãe, começou a ter dificuldade de andar, a levamos para um cruzeiro com o suporte de uma cadeira de rodas, ela se divertiu horrores, e eu mais ainda pois dividi a cabine com ela. Hoje, prestes a completar 91 anos, ela sofre com essa lamentável doença chamada Alzheimer. Está em um estágio avançado da doença, padecendo na cama, falando pouco, com quase nada de consciência. Mas de vez em quando ainda pergunta se casei (risos). Semana passada ouvi minha mãe dizer para ela "Mamãe, você não me reconhece, né? Mas o importante é que eu sei quem você é, viu...é minha mãe adorada....". Chorei muito. Triste vê-la nesse estado, mas é sempre bom vê-la, tocá-la, beijá-la. À dona Angelina Fonseca Gomes, todo meu amor e meus parabéns pelo seu dia, e eternos agradecimentos por ter sempre exercido o papel de avó brilhantemente, como manda o figurino.
Beijos a todos os avós...aproveito para parabenizar meus pais, Iraí e Roberto, pelos avós presentes, dedicados e amorosos que são!
sexta-feira, julho 20, 2012
Fase da Conquista?!
No começo tudo é lindo...ele faz questão de te buscar em casa e abrir a porta do carro, alguns surpreendem com flores, levam em bons restaurantes, pagam a conta, te enchem de elogios, não querem desgrudar, ligam toda hora, mandam mensagens fofas...ah, o amor! Nunca fui uma pessoa grudenta, mas demonstrações de carinho (in private, não no facebook) sempre é uma delícia! Pois é, estou nessa fase, totalmente apaixonada em uma fase inicial de relacionamento...apesar de ser um velho amor ainda e sempre.
Não gente, não estou falando de homem, mas sim da cidade onde nasci, a velha e louca cidade da garoa, São Paulo. Depois de passar oito meses na cidade maravilhosa (que realmente é maravilhosa), voltei para São Paulo no início de julho. Continuo com o mesmo trabalho para a minha eterna rainha dos baixinhos, mas não adianta, mundo corporativo flui mesmo é em São Paulo, então vamos fazer o negócio acontecer! E a mudança ocorreu rapidamente, e eu vim "amarradona", como dizem os cariocas, dirigindo meu carro pela Dutra, com direito a parada em Aparecida para agradecer o cara lá de cima...porque nenhum lugar me faz me sentir mais em casa do que São Paulo. E eu tive que rodar por aí para chegar a esta conclusão!
E aí que, como em um bom relacionamento em fase inicial, eu não posso me declarar para ela assim, fácil...então tenho feito jogo duro, entrei em uma dieta pesada para não ser vencida pelos inúmeros restaurantes deliciosos com adegas maravilhosas, mas em contrapartida descobri o Parque do Povo, que é delicioso para caminhar e ver gente bonita (to em um relacionamento aberto com a cidade, ta?). E ela segue na determinação de me conquistar de vez...Cheguei em julho, mês de férias escolares, ou seja, trânsito quase inexistente, clima de frio com sol, cercada de gente que amo e que mora aqui, a uma distância que posso pegar o carro e chegar até minha família no interior. Tem como não amar?
Ok, eu me rendo. São Paulo, nosso destino foi traçado na maternidade! Maternidade Matarazzo para ser mais exata...e o sangue paulistano corre em minhas veias, apesar do sotaque caipira! Dos meus 33 anos, até agora são 13 anos morando aqui, e uma vida inteira nas rodovias Bandeirantes-Washington Luiz. Já somos casados e sem direito a divórcio, você faz parte de mim, e como todo casamento eu te aceito na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, no trânsito e na loucura, só espero que a violência um dia nos abandone...acho que é o único ponto que conflitamos! E em tempos de eleições municipais, me questiono porque ainda não transferi meu título para cá...o farei em breve, afinal tenho que ajudar a cuidar do meu amor, não é mesmo?
É pessoal, definitivamente alguma coisa acontece no meu coração...
segunda-feira, maio 21, 2012
Xuxa revela...e algumas pessoas também!
Domingo a noite o Brasil parou para assistir a entrevista da Xuxa no Fantástico, falando de assuntos que ela não havia falado antes, e de repente a maior de suas confissões reveladoras, o fato de ter sido abusada quando criança...chorei por meia hora. Curiosamente na noite anterior conversei sobre o assunto, um caso de uma pessoa que morava próximo, de família conhecida, muito bem de vida, aparentemente normal. Uma criança abusada, pais que não acreditavam, caso abafado, uma vida desencontrada por anos, a coragem de se abrir só depois de se mudar para bem longe fisicamente daquela realidade que lhe assombrava.
A entrevista repercutiu horrores, e até agora não consegui dormir pois estou chocada com os comentários machistas que chegam a me dar ânsia. E começo a entender um pouco o sofrimento e medo daqueles que passam por isso, muitas pessoas não acreditam em suas denúncias e buscam justificativas em seu comportamento, julgando-as. Sabe aquele pesadelo que temos, que não conseguimos falar, e dá aquela aflição horrorosa? Imagino que estas crianças passam por isso a todo momento, e com intensidade muito maior. Triste demais.
E o fato de ser a Xuxa polemiza ainda mais. E aí que eu li em facebook e twitter que, pelo fato da Xuxa ter namorado o Pelé, posado nua e ter feito aquele filme de pornochanchada, ela não é "anjinho", "santa", "vítima", entre outros absurdos. Ela causa tanto impacto que teve gente hoje dizendo que com 13 anos as crianças já sabem o que estão fazendo, o que pareceu um apoio a pedofilia, apenas para não ficar "do lado dela". E gente curtindo, apoiando. E o que mais me assusta é que essas pessoas são pais. Só posso concluir com isso o quanto sou privilegiada por estar brincando de Barbie com essa idade, cercada de amor em um lar com diálogo, compreensão e confiança.
Tudo bem se você não gosta da Xuxa...ninguém é obrigado a gostar ou aprovar as atitudes de alguém. Mas para mim ficou claro que a história aqui é a mesma da mulher adulta estuprada que, ao denunciar, ouve como resposta que o fato dela usar uma saia curta deu motivos para o estuprador. Ou ainda saindo do assunto abuso sexual, dizermos pro cara que foi assaltado em uma esquina, que ele não deveria passar ali, pois sempre tem bandido. A referência das pessoas para quem é o criminoso da história está muito distorcida, na minha opinião.
Sim, a TV tem sensacionalismo, briga de audiência e edições...mas eu procuro ver o lado bom das coisas, e pra mim pouco importa o IBOPE do Fantástico na noite de hoje, mas sim o índice de pessoas que se comoveram, que se sentiram menos "erradas" ao ver que a Xuxa é humana e passou pelo mesmo trauma que elas. Os pais que pararam pra pensar, as crianças que resolveram falar, os já adultos que afrouxaram um pouco aquela corda que os sufocava por tantos anos, as consciências tocadas.
Muitos acharam desnecessário, ou algum tipo de jogada. Para mim, foi um ato de coragem indiscutível de quem fala mostrando a cara, sem medo...e provavelmente com o objetivo de ajudar crianças e jovens, algo que ela já faz brilhantemente com sua fundação. O assunto era "Xuxa Revela", mas para mim hoje, infelizmente, teve gente que se revelou muito mais que ela...
A entrevista repercutiu horrores, e até agora não consegui dormir pois estou chocada com os comentários machistas que chegam a me dar ânsia. E começo a entender um pouco o sofrimento e medo daqueles que passam por isso, muitas pessoas não acreditam em suas denúncias e buscam justificativas em seu comportamento, julgando-as. Sabe aquele pesadelo que temos, que não conseguimos falar, e dá aquela aflição horrorosa? Imagino que estas crianças passam por isso a todo momento, e com intensidade muito maior. Triste demais.
E o fato de ser a Xuxa polemiza ainda mais. E aí que eu li em facebook e twitter que, pelo fato da Xuxa ter namorado o Pelé, posado nua e ter feito aquele filme de pornochanchada, ela não é "anjinho", "santa", "vítima", entre outros absurdos. Ela causa tanto impacto que teve gente hoje dizendo que com 13 anos as crianças já sabem o que estão fazendo, o que pareceu um apoio a pedofilia, apenas para não ficar "do lado dela". E gente curtindo, apoiando. E o que mais me assusta é que essas pessoas são pais. Só posso concluir com isso o quanto sou privilegiada por estar brincando de Barbie com essa idade, cercada de amor em um lar com diálogo, compreensão e confiança.
Tudo bem se você não gosta da Xuxa...ninguém é obrigado a gostar ou aprovar as atitudes de alguém. Mas para mim ficou claro que a história aqui é a mesma da mulher adulta estuprada que, ao denunciar, ouve como resposta que o fato dela usar uma saia curta deu motivos para o estuprador. Ou ainda saindo do assunto abuso sexual, dizermos pro cara que foi assaltado em uma esquina, que ele não deveria passar ali, pois sempre tem bandido. A referência das pessoas para quem é o criminoso da história está muito distorcida, na minha opinião.
Sim, a TV tem sensacionalismo, briga de audiência e edições...mas eu procuro ver o lado bom das coisas, e pra mim pouco importa o IBOPE do Fantástico na noite de hoje, mas sim o índice de pessoas que se comoveram, que se sentiram menos "erradas" ao ver que a Xuxa é humana e passou pelo mesmo trauma que elas. Os pais que pararam pra pensar, as crianças que resolveram falar, os já adultos que afrouxaram um pouco aquela corda que os sufocava por tantos anos, as consciências tocadas.
Muitos acharam desnecessário, ou algum tipo de jogada. Para mim, foi um ato de coragem indiscutível de quem fala mostrando a cara, sem medo...e provavelmente com o objetivo de ajudar crianças e jovens, algo que ela já faz brilhantemente com sua fundação. O assunto era "Xuxa Revela", mas para mim hoje, infelizmente, teve gente que se revelou muito mais que ela...
quarta-feira, março 28, 2012
Um pouco sobre mim...
No último domingo, o jornal rio-pretense DHOJE publicou uma entrevista comigo, da qual adorei participar e falar sobre questões que julgo interessantes, selecionadas pelo meu amigo e jornalista Daniel Rondano. Como ele mesmo me pediu para "não economizar nas palavras", atendi sua solicitação, e o resultado são estas duas páginas que dizem um pouco sobre mim, e por isso resolvi replicá-las aqui, em texto e fotos.
Espero que gostem!
do mundo. Sem rodeios, Fernanda comenta também sobre a vida pessoal, redes sociais e polêmicas que já envolveram seu nome. Ela é tudo de bom para conversar, inteligente e com um papo alto astral. Leia
os principais trechos:
Jornal DHoje - Defina quem é Fernanda Gomes Luz Braga
Fernanda - Paulistana de nascimento, espanhola de sangue, rio-pretense de criação, cidadã do mundo por opção...mas sempre muito ligada à família e amigos pelo coração.
Jornal DHoje - Atualmente o que você faz profissionalmente?
Trabalho em uma holding de franquias como gerente de um projeto que diz respeito a criação de um novo negócio, ainda confidencial, mas que terá a primeira unidade no Rio de Janeiro e futuramente franquias por todo o Brasil.
Jornal DHoje - Qual a sua formação? Por quais instituições de ensino você já passou?
Estudei até o terceiro colegial no Anglo em Rio Preto, e com 16 anos passei na USP em Administração. Iniciei a faculdade na USP de Ribeirão Preto, e transferi para a USP de São Paulo no quarto ano por oportunidades de estágio, onde me graduei. Depois fui fazer 1 ano de pós graduação em Comunicação na Harvard Extension, em Cambridge, nos Estados Unidos.
Jornal DHoje - Vejo que você já estudou em uma das melhores faculdades do mundo, Harvard, como foi passar por essa experiência?
Foi incrível, a universidade é um sonho, o ambiente, os estudantes, os professores, tudo parece cena de filme, mas é vida real e tem que estudar pra valer, foi bem interessante.
Jornal DHoje - De onde veio essa ideia de estudar la ? E por que estudar em Harvard?
Eu sempre tive vontade de estudar um tempo fora, preferi terminar a graduação no Brasil primeiro e tentar uma pós. Eu estava trabalhando em uma das maiores consultorias do mundo, a PricewaterhouseCoopers, quando decidi que era aquela hora ou nunca, se eu não fosse com 24 anos, dificilmente iria mais tarde, porque precisa de energia e determinação para aguentar, não é fácil. Aí busquei os cursos que me interessavam e encontrei este da Harvard que me encantou por ser Comunicação, com foco especial na escrita, o que considero algo primordial para qualquer profissão. Daí fiz todo o processo de provas e envio de documentos sozinha, e fui aprovada.
Jornal DHoje - Hoje você trabalha ao lado de uma das mulheres mais influentes deste país, Xuxa Meneghel, como esta sendo para você esta experiência?
Eu trabalho em uma empresa que é parceira da empresa da Xuxa para um negócio específico, mais do que ela como celebridade, corporativamente falando o pessoal que trabalha com ela é muito profissional e capaz, então isto motiva ainda mais o meu trabalho e torna esta experiência enriquecedora. Eu sempre trabalhei em “bastidores”, podemos dizer, nas áreas administrativas de empresas, então o mais incrível desta experiência é a exposição e dimensão que meu trabalho pode tomar na mídia, por envolver uma celebridade como a Xuxa, tenho aprendido muito.
Jornal DHoje - De quem partiu o convite para trabalhar com a rainha dos baixinhos?
Fui contratada pela SMZTO, empresa que trabalho, para gerenciar um projeto de novo negócio, como qualquer outro, e aconteceu de ser o negócio em parceria com ela.
Jornal DHoje - Pelas redes sociais vimos que você é fã da Xuxa, mais do que a realização de um sonho profissional, você esta realizando um sonho pessoal também?
Sempre fui muito fã! Que criança teve a infância nos anos 80 e não sonhou em estar ao lado da Xuxa? Ela é ícone, ela é mito, ela é um sonho. Na época, minha mãe me levou à gravação do Xou da Xuxa no Rio, em excursão saindo de Rio Preto e foi demais, lembrança guardada com muito carinho. Hoje posso dizer que a emoção de trabalhar em um negócio com o nome dela, estar com ela em uma reunião, poder conversar, ouvir, materializar esta pessoa que admiro tanto é sim um sonho pessoal mais do que realizado. E hoje sou fã da artista, da pessoa e da empresária Xuxa.
Jornal DHoje - Conte-nos um pouco sobre suas experiências profissionais. Em quais empresas você já trabalhou?
Grande parte da minha experiência profissional foi construída em empresas multinacionais, como as consultorias PricewaterhouseCoopers, Convergys e Everis, além da precursora no mercado de telecomunicações, a sueca Ericsson. Também trabalhei enquanto fiz a pós nos EUA, na Câmara de Comércio Brasil-EUA em Boston. Antes de iniciar este projeto atual, eu passei 1 ano e meio por Rio Preto, na Rodobens Negócios Imobiliários.
Jornal DHoje - Você já trabalhou fora do país?
Sim, enquanto fazia a pós fui coordenadora da Câmara de Comércio Brasil-EUA, que estava começando em Boston, e através das consultorias que trabalhei fiz projetos na Argentina, Estados Unidos e Espanha.
Jornal DHoje - Você já morou em muitos lugares, tanto no Brasil como no exterior. Qual desses lugares você mais gostou? E onde você quer envelhecer e constituir família?
Eu costumo dizer que sou de fácil adaptação, e procuro viver e curtir o momento, então todos os lugares que passei eu gostei muito e tenho algum tipo de carinho, apego. Já sonhei em envelhecer e constituir família em alguma cidade mais tranquila, mas hoje mais do que nunca eu sei que somos responsáveis por construir nosso próprio lar, então sinceramente não tenho uma cidade preferida para esse fim.
Jornal DHoje - Hoje você é uma mulher realizada profissionalmente?
Me sinto bem com minha trajetória, mas acho que realizada nunca estarei, pois sempre quero mais...mais do que crescer, quero aprender, e fazer mais.
Jornal DHoje - O que você ainda almeja para sua carreira profissional?
Balancear carreira e vida pessoal, mas sem estagnar na rotina, com desafios e aprendizado sempre.
Jornal DHoje - Você tem algum ídolo na área profissional? Você se inspira em quem?
Não tenho uma única inspiração, era fã de Steve Jobs, claro, acho que os brasileiros Eike Batista, Antonio Ermirio de Moraes, Abilio Diniz são grandes exemplos, mas não idolatro ninguém, acho que é todo mundo humano, passível de erros, e que muitas vezes tiveram que sacrificar vida pessoal pela profissional.
Jornal DHoje - Falando um pouco sobre vida pessoal. Com uma carreira profissional bem sucedida, você se sente realizada também no lado pessoal?
Me sinto realizada por ter nascido e crescido em uma família unida, carinhosa, ética, espiritualizada, companheira e cercada de pessoas que me passaram valores pra toda a vida. Isso me dá força para tudo que faço. Ainda quero formar a minha própria família e poder transmitir esses valores para mais gerações.
Jornal DHoje - Dizem que mulheres poderosas e bem sucedidas assustam os homens. Você acha que isso realmente é verdade?
Acho (risos)! A sociedade ainda não está totalmente preparada pra ter a mulher assumindo papéis de poder, que eram exclusivamente masculinos. Ainda ouço coisas como “você trabalha que nem homem” e eu respondo que não, que trabalho mais, porque a mulher tem que se provar melhor para que a aceitem. E para o homem é mais difícil “perder” esse poder que ele tinha sobre a sua mulher, para muitos ter uma mulher do lado que seja independente financeiramente é um risco de perdê-la a qualquer instante...mal sabem que, assim como eles, só queremos companheirismo e cumplicidade de quem está ao nosso lado, não precisam temer.
Jornal DHoje - Você é uma pessoa que gosta bastante de viajar e já conheceu vários lugares. Qual desses lugares foi o mais exótico?
Ah, exótico com certeza foi a viagem à Ásia que fiz ano passado. Indonésia, Tailândia, Malásia, Cingapura...é outro mundo, cultura muito diferente, pessoas, religião, comida, comportamento, tudo. Ainda quero voltar para conhecer mais...
Jornal DHoje - Qual viagem que você jamais faria novamente?
Nenhuma, não me imagino negando uma viagem...
Jornal DHoje - E qual delas você repetiria?
Todas! Cada vez que você vai, é um olhar distinto, um aprendizado novo, uma colaboração diferente para aquele momento da sua vida, uma outra recordação.
Jornal DHoje - Você é uma pessoa bastante ativa nas redes sociais. Como você analisa as redes sociais?
Acho fantástico! Eu vejo minha mãe, com 70 anos, encontrando amigos de infância e compartilhando fotos no grupo de Nova Granada do facebook e me emociono. Pensar que antigamente eles se distanciavam e se comunicavam por cartas sem saber se estas eram entregues, e quando recebiam resposta eram após meses...e hoje se falam em tempo real recordando dessa época! Do lado corporativo, a empresa poder ouvir seus clientes e instantaneamente alterar um produto ou campanha, resolver um problema que poderia lhe causar milhões em danos se diagnosticado só mais tarde, e poder divulgar suas novidades e medir o resultado rapidamente, é demais!
Mas infelizmente os usuários de redes sociais, para fins pessoais ou profissionais, ainda tem muito o que desenvolver para extrair todo o benefício que elas podem nos dar, além de terem que ficar atento para não causar mais ônus do que bônus.
Jornal DHoje - As redes sociais acabam expondo muito a vida pessoal das pessoas. Isso já te atrapalhou em alguma coisa?
Não digo atrapalhar, nunca tive problemas por algo que eu expus, mas já fui exposta de forma que não me agradou, por pessoas que se aproveitaram de laços de amizades e confidências minhas para aparecer nas redes sociais. No fim isso acaba sendo mais um aprendizado para identificarmos as pessoas, infelizmente através de decepções, mas assim é a vida.
Jornal DHoje - O que é positivo e o que é negativo nas redes sociais?
O positivo é a possibilidade de reduzir distâncias, de aproximar pessoas com objetivos comuns, e de facilitar a troca de informações.
O negativo é a exposição, a má interpretação de palavras colocadas, o uso para fins de má fé como perfis fakes, mentiras, os famosos boatos de internet conhecidos como hoaxes que inventam histórias de pessoas doentes, de causas infundadas e pedem para compartilhar, enviar dinheiro, etc.
Jornal DHoje - Pelas redes sociais podemos perceber que você é uma pessoa bastante critica. Algum post já te prejudicou em alguma coisa?
Eu tenho uma opinião e acho que cada um tem a sua, mas muita gente não entende e quer te convencer a ter a mesma opinião que a dela. Impossível agradar a todos! Eu exponho o que penso, quando sinto necessário, críticas são bem-vindas, e respeitadas. Adotei uma postura de não ir no mural dos outros criticar, ofender, cada um tem direito a expor sua opinião em sua página, mas a recíproca nem sempre é verdadeira e de vez em quando aparece no meu perfil alguém que parte pra ignorância e não sabe argumentar...eu procuro me basear em fatos nas respostas, mas quando é só paixão, tipo futebol, nunca teremos um consenso, dou risada e procuro fazer disso uma brincadeira saudável e sem ofensas.
Jornal DHoje - Você se arrepende de ter postado alguma coisa em rede social ?
Não, dá para contar no dedo as vezes que apaguei um post, quando o fiz era algum tweet, que após enviá-lo, reli e não gostei. Não sei se me arrependo de já ter feito, mas hoje muitas das minhas fotos no facebook estão selecionadas para visualização apenas de familiares e pessoas próximas, acho que a rede tomou uma dimensão muito grande, e muitas pessoas transmitem energias ruins, mesmo que involuntariamente, ao te ver em momentos felizes.
Jornal DHoje - Qual dica você daria para as pessoas que usam redes sociais? O que deve e o que não deve postar?
Se te dessem 1 minuto para um pronunciamento, que seria ouvido em todo o mundo, tipo discurso do Barack Obama, você falaria isso que está postando? Porque no fundo é isso, a repercussão da rede social não tem limites, então esteja ciente e confiante no que está transmitindo...e também se é relevante compartilhar aquilo, porque carência todo mundo tem, mas acho legal se preservar.
Jornal DHoje - Pelas redes sociais também percebemos que você é fã assumida do programa Big Brother Brasil. Você, por ser uma mulher inteligente e uma formadora de opinião, já foi criticada
ou sofreu algum tipo de preconceito por gostar e defender o BBB?
Fui muuuuuuito criticada, mas nem ligo. Não consigo entender uma pessoa achar que é mais inteligente, culta, ou sei lá o que mais que os outros por assistir ou não um programa de TV. O fato de eu querer descansar a mente assistindo um programa de fácil compreensão, não irá me impedir de ler um livro, de ser boa profissional, de ter caráter, entre outras coisas que valorizo em uma pessoa. As redes sociais se tornaram uma grande vitrine de gente que quer se mostrar engajada em causas, grandes leitores de livros que não assistem programas fúteis e boicotam grandes corporações, compartilhadores de frases feitas, ou ainda usando o nome de Deus o tempo todo, etc. Eu acho que as suas atitudes demonstram quem você realmente é, não o que você escreve (repetidas vezes) nas redes sociais. Os ativistas de redes sociais são assim, defendem animais mas comem carne, dizem não assistir BBB mas perdem um tempão criticando quem assiste em vez de realmente “ler um livro”, boicotam a Globo um dia mas assistem outra emissora que dá na mesma, pregam a Deus mas passam a perna nos outros no dia-a-dia, e assim por diante. O mal do século se chama HIPOCRISIA e é amplamente projetado nas redes sociais.
Jornal DHoje - E para encerrar, qual é seu sonho?
Minha mãe diz que “se é pra sonhar, vamos sonhar gordo!”, então eu realmente sonho com um Brasil menos corrupto, acho que desencadearia inúmeras melhorias em nossas vidas, e na possibilidade de um futuro melhor para as próximas gerações. Em um universo menor, sonho com saúde para mim e as pessoas que amo, o resto corremos atrás.
quinta-feira, março 08, 2012
Troco rosas por mais caráter e menos hipocrisia
Todo ano, nesta data, sinto menos orgulho de ser mulher. Sim, infelizmente. Pois me lembro que pertenço a uma categoria que precisa de um dia para ser homenageada, de uma lei e uma delegacia específica para protegê-la (e ainda correm o risco de denunciar e ouvirem que a culpa é dela), de ser considerada parte dos grupos de diversidade em empresas e universidades, de um padrão de beleza para ser aceita, de matar um leão por dia para provar sua igualdade, de um incêndio de peça íntima para ganhar mais trabalho e responsabilidade, e mesmo assim ser chamada de sexo frágil.
Entre as inúmeras frases prontas que li hoje parabenizando as mulheres, encontrei também piadinhas sobre nossa atuação como motoristas, sobre estarmos liberadas hoje de lavar a louça, ou ainda citando a famosa Amélia, lamentos de que não se fazem mais "mulheres de verdade", ou seja, como aquela que não tinha a menor vaidade. Desculpem, mas dirijo muito bem, odeio e raramente faço qualquer serviço de casa, sou vaidosa e ainda trabalho muito mais que a maioria dos homens que conheço. E todas essas qualidades/defeitos não estão relacionadas ao gênero que pertenço.
E aí você sai de casa hoje e recebe rosas em postos de gasolina, no trabalho, daquele cara querendo te conquistar, ou de alguém que não está ao seu lado. E amanhã o frentista tentará novamente te passar pra trás por ser mulher e não entender de mecânica, o conquistador que já conseguiu o que quer talvez você nem o verá mais, aquela ausência continuará registrada na fotografia, e você continuará trabalhando "como homem" e sendo, embora não explicitamente, discriminada.
Passei para almoçar em casa hoje e estava passando um dos meus filmes preferidos, "Um lugar chamado Notting Hill". Adoro esse filme pelos atores, pelo senso de humor, pela trilha sonora, pelo romance e pela história realista, tão propícia para o dia de hoje. Ela é uma celebridade internacional e milionária, ele um cidadão qualquer com um pequeno negócio não muito bem sucedido, e se apaixonam. E qual o grande problema? O fato do estereótipo dizer que o homem deve ser mais bem sucedido e ganhar mais do que a mulher. Ponto. O que a leva no final do filme a pedir para que ele "esqueça" a celebridade e lembre-se que ela é só uma mulher querendo amar e ser amada, direito de qualquer ser humano. Aí paramos para pensar em quantas mulheres bem sucedidas e solitárias existem por aí, enquanto os homens neste patamar costumam ter quantas mulheres quiserem, sem serem julgados por isso.
Enfim, podia passar horas e caracteres citando exemplos que me entristecem e me fazem enxergar hipocrisia nesse dia. São muitas fotos de flores e mensagens prontas, banalizadas, espalhadas nas redes sociais. Aí você vê aquele cara, que é grosso e machista com a própria mãe, homenageando as mulheres, ou ainda aquele outro que trai a esposa o ano todo na cara dura, enviando flores e poemas "ctrl+c / ctrl+v". Do mesmo jeito que tem mulheres que não se deram o respeito, que falaram/fizeram maldade pelas costas do marido, dos amigos, dos irmãos, dos colegas de trabalho o ano todo, e hoje estão se vangloriando por ser mulher e "exigindo" os parabéns.
Não quero generalizar, recebi parabéns de pessoas muito queridas, mas que também demonstram isso por mim nas atitudes, em dias comuns, assim como parabenizo mulheres (e homens) que merecem sempre que tenho oportunidade.
O fato é que não me acho melhor, nem pior, por ser mulher. Homens e mulheres são diferentes, em diversos aspectos, e se não houvessem tais diferenças nada faria sentido. Mas tem algo que deveria ser comum a todos os seres humanos, e que disso sim tenho orgulho, que é o caráter...e a busca diária de manter a constância do mesmo. Parabéns a todos, mulheres e homens, que deitam a cabeça no travesseiro todos os dias, se sentindo merecedores de homenagens pelo ser humano que são, por respeitarem os seus próximos...sem dia específico e, principalmente, sem hipocrisia!
terça-feira, fevereiro 07, 2012
Um X no meu coração!
Não sei nem por onde começar, ainda me encontro em estado de êxtase...engraçado que neste momento, por eu ter esquecido de comer o dia todo (coisa raríssima), sinto a mesma dor de cabeça que senti há 23 anos, quando cheguei na rua Saturnino de Brito, 74, Jardim Botânico, cep 22470, primeira vez que eu pisava no Rio de Janeiro. Fui de excursão saindo de Rio Preto, de ônibus, com minha mãe e minha prima-irmã, participar da gravação do Xou da Xuxa, ícone indiscutível da minha geração.
Eu sempre fui baixinha da Xuxa, com orgulho, de dançar todas as músicas com as amigas na garagem de casa, de ficar com raiva de quem falasse mal dela, de querer usar suas roupas, de sonhar em ser paquita. E em 1989, quando fui à gravação do Xou, a emoção foi tanta que passei mal quando entrei no studio, senti muita dor de cabeça, estômago embrulhado e fui para os bastidores tomar remédio com uma das paquitas. Mas consegui voltar, tirar foto com a Xuxa e participar de toda a gravação, experiência indescritível, para o resto da vida.
Hoje, prestes a completar 33 anos, tive uma reunião de trabalho a tarde toda com ela, Xuxa Meneghel. E posso te garantir que a minha emoção foi a mesma, mas a maturidade e experiência me ensinaram a disfarçar. Mesmo porque ela é realmente uma pessoa iluminada, que transmite uma energia do bem, e que me fez sentir como se estivesse na sala de casa, com aquela antiga amiga que passava todas as manhãs comigo quando eu era pequena.
Estou no Rio para este projeto em parceria com ela há 3 meses, e não tem sido fácil. Sim, o Rio é lindo, cidade maravilhosa, sensacional morar de frente para o mar, inúmeras opções de tudo, sonho de consumo. Mas estou aqui sozinha, deixei minha família, moro em flat e abri mão da minha casa, recomecei muita coisa e deixei parte de minha vida para trás...mais uma vez. E é como deixar um pedaço de mim, vivo com o coração apertado e choro quase todos os dias por isso, confesso.
Mas eu sempre tive sonhos, e mais do que isso, sempre busquei realizá-los, e sentindo na pele o preço a ser pago por isso. E em um dia como hoje, os questionamentos diários do tipo "será que vale a pena?" são respondidos. E ouvir a voz dos meus pais orgulhosos do outro lado do telefone também é bom demais! Bem melhor do que o abraço de pena por me ver ao lado deles, porém cheia de frustrações.
Em um momento da reunião a Xuxa falou de sonhos, e coincidentemente me olhou e fez o famoso "querer, poder e conseguir" com os dedos, o qual eu repeti instintivamente junto com ela, com um sorriso de orelha a orelha enquanto aqueles olhos azuis irradiavam coisas boas em minha direção. É, e assim renovei minhas forças para aguentar mais um pouco essa "vida cigana" que eu levo...tendo mais uma vez a certeza de que "tudo que eu quiser, o cara lá de cima vai me dar."
P.S. Eu estava lá como executiva, mas ao final fui obrigada a tietar e "atualizar" a minha foto com ela.
Eu sempre fui baixinha da Xuxa, com orgulho, de dançar todas as músicas com as amigas na garagem de casa, de ficar com raiva de quem falasse mal dela, de querer usar suas roupas, de sonhar em ser paquita. E em 1989, quando fui à gravação do Xou, a emoção foi tanta que passei mal quando entrei no studio, senti muita dor de cabeça, estômago embrulhado e fui para os bastidores tomar remédio com uma das paquitas. Mas consegui voltar, tirar foto com a Xuxa e participar de toda a gravação, experiência indescritível, para o resto da vida.
Hoje, prestes a completar 33 anos, tive uma reunião de trabalho a tarde toda com ela, Xuxa Meneghel. E posso te garantir que a minha emoção foi a mesma, mas a maturidade e experiência me ensinaram a disfarçar. Mesmo porque ela é realmente uma pessoa iluminada, que transmite uma energia do bem, e que me fez sentir como se estivesse na sala de casa, com aquela antiga amiga que passava todas as manhãs comigo quando eu era pequena.
Estou no Rio para este projeto em parceria com ela há 3 meses, e não tem sido fácil. Sim, o Rio é lindo, cidade maravilhosa, sensacional morar de frente para o mar, inúmeras opções de tudo, sonho de consumo. Mas estou aqui sozinha, deixei minha família, moro em flat e abri mão da minha casa, recomecei muita coisa e deixei parte de minha vida para trás...mais uma vez. E é como deixar um pedaço de mim, vivo com o coração apertado e choro quase todos os dias por isso, confesso.
Mas eu sempre tive sonhos, e mais do que isso, sempre busquei realizá-los, e sentindo na pele o preço a ser pago por isso. E em um dia como hoje, os questionamentos diários do tipo "será que vale a pena?" são respondidos. E ouvir a voz dos meus pais orgulhosos do outro lado do telefone também é bom demais! Bem melhor do que o abraço de pena por me ver ao lado deles, porém cheia de frustrações.
Em um momento da reunião a Xuxa falou de sonhos, e coincidentemente me olhou e fez o famoso "querer, poder e conseguir" com os dedos, o qual eu repeti instintivamente junto com ela, com um sorriso de orelha a orelha enquanto aqueles olhos azuis irradiavam coisas boas em minha direção. É, e assim renovei minhas forças para aguentar mais um pouco essa "vida cigana" que eu levo...tendo mais uma vez a certeza de que "tudo que eu quiser, o cara lá de cima vai me dar."
P.S. Eu estava lá como executiva, mas ao final fui obrigada a tietar e "atualizar" a minha foto com ela.
sábado, dezembro 24, 2011
Um brinde à VIDA e suas adaptações
Eu não estava muito inspirada para escrever neste final do ano, mas hoje, dia 24 de dezembro, senti que isto me faria um pouco melhor, e cá estou em um momento piegas, refletindo sobre o ano que passou. Final do ano passado eu escrevi sobre as redescobertas da minha vida, relativamente certa do meu destino aqui em Rio Preto, do amor que eu vivia, dos amigos que eu tinha, da vida que eu tinha estabelecido...que ingenuidade.
Aproveitei bastante o ano sim, realizei sonhos como comprar e decorar meu apartamento como eu sempre quis, conheci o outro lado do mundo através da viagem mais incrível que já fiz, curti muito as pessoas que amo, selecionei amigos que pouco me agregavam, intensifiquei e retomei com aqueles que me são verdadeiros, abri mão de coisas supérfluas pela minha família e valores...enfim, vivi feliz...entre altos e baixos, e muitas reviravoltas.
Como muitos já sabem, não moro mais em Rio Preto, entre perdas e adaptações fui obrigada a reencontrar algo que tinha perdido, a minha alma não comodista. Só consigo pensar naquela propaganda que diz que "não são as respostas que movem o mundo, e sim as perguntas"...e estas mudam a todo momento, obrigando-nos a uma adaptação, nem sempre desejada. Hoje estou em um projeto no Rio de Janeiro e procuro não pensar onde estarei no mês seguinte, desisti de ter todas as respostas. Acho engraçado que, ao comentar onde estou morando, todos se alegram e pensam que tenho a maior sorte do mundo por morar nesta cidade cheia de encantos mil. Sim, é uma benção o visual daquela cidade, mas sair de perto da minha família e recomeçar mais uma vez não é fácil...nunca foi. Só agradeço a Deus pela minha capacidade de adaptação e pela saúde para lutar.
Saúde, há tempos este tem sido meu único desejo para os anos que se aproximam. Quando saí da entrevista que fiz sobre ir para o Rio de Janeiro, a primeira pessoa para quem mandei uma mensagem foi para um amigo que havia se mudado para lá...recebi dele inúmeras mensagens alegres e ansiosas me convencendo a aceitar a proposta, que eu não estaria sozinha, pois ele me ajudaria na adaptação...coisa que nunca aconteceu, desde que me mudei para o Rio ele já se encontrava internado, de onde não mais saiu. E não houve um dia sequer que não olhei para a cidade maravilhosa e pensei nele e em sua família, em seu filho, e esta não me parecia mais tão maravilhosa assim.
Hoje perdi este amigo, quem é de Rio Preto com certeza sabe quem era Neto Teixeira, ele era onipresente...ele e sua alegria de viver. Eu o conhecia há muito tempo, desde sempre, mas como ironia do destino foi em 2011 que realmente nos tornamos amigos. Acho que nunca lhe disse que até tinha birra dele no passado, tenho a lembrança de um carnariopreto ele com aquele extintor de coquinho me espirrando na cara, de brincadeira lógico, mas porque eu estava com um grande amigo dele, e rolava aquele ciuminho bobo de amigo do paquera. Enfim, a paquera acabou há anos, e a minha amizade com ele se tornou uma das melhores coisas neste ano que passou.
O que eu levo disso tudo que vivi? Que a sensação "estar bem" é muito relativa. Bem mesmo estávamos no útero das nossas mães, sem preocupações, e mesmo assim fomos obrigados a sair para crescer e evoluir....e qual a nossa reação? Choramos...é o normal, o bebê que não chora ao nascer é preocupante! Então hoje, apesar de "estar bem", eu choro, não consigo conter as lágrimas...choro ao lembrar das risadas que meu amigo me proporcionou, da torcida pelo nosso tricolor, das dezenas de vezes que ele fez a banda cantar parabéns no meu aniversário, do quanto ele fazia um simples restaurante mexicano se transformar com sua chegada, do apoio que ele me deu para aceitar um novo desafio, do amigo, pai, filho e profissional que ele foi...choro pelo mundo que, em meio a tantas pessoas cruéis que nos deparamos, perde um ser humano tão espetacular. Choro em agradecimento por ter se tornado sua amiga este ano, e pela árdua adaptação que todos nós sofreremos sem a sua presença.
Portanto, que todos aproveitem não só este final do ano, mas toda a sua vida, com as pessoas que amam...e que Deus dê muita saúde a todos, e capacidade de adaptação às linhas tortas da vida, por mais injustas que possam parecer. Problemas, todos temos, mas que a gente consiga relaxar e disseminar amor e alegria...é isto que desejo!
Um brinde à VIDA, que você se faça merecedor de cada segundo dela.
Beijos no coração de todos!
Aproveitei bastante o ano sim, realizei sonhos como comprar e decorar meu apartamento como eu sempre quis, conheci o outro lado do mundo através da viagem mais incrível que já fiz, curti muito as pessoas que amo, selecionei amigos que pouco me agregavam, intensifiquei e retomei com aqueles que me são verdadeiros, abri mão de coisas supérfluas pela minha família e valores...enfim, vivi feliz...entre altos e baixos, e muitas reviravoltas.
Como muitos já sabem, não moro mais em Rio Preto, entre perdas e adaptações fui obrigada a reencontrar algo que tinha perdido, a minha alma não comodista. Só consigo pensar naquela propaganda que diz que "não são as respostas que movem o mundo, e sim as perguntas"...e estas mudam a todo momento, obrigando-nos a uma adaptação, nem sempre desejada. Hoje estou em um projeto no Rio de Janeiro e procuro não pensar onde estarei no mês seguinte, desisti de ter todas as respostas. Acho engraçado que, ao comentar onde estou morando, todos se alegram e pensam que tenho a maior sorte do mundo por morar nesta cidade cheia de encantos mil. Sim, é uma benção o visual daquela cidade, mas sair de perto da minha família e recomeçar mais uma vez não é fácil...nunca foi. Só agradeço a Deus pela minha capacidade de adaptação e pela saúde para lutar.
Saúde, há tempos este tem sido meu único desejo para os anos que se aproximam. Quando saí da entrevista que fiz sobre ir para o Rio de Janeiro, a primeira pessoa para quem mandei uma mensagem foi para um amigo que havia se mudado para lá...recebi dele inúmeras mensagens alegres e ansiosas me convencendo a aceitar a proposta, que eu não estaria sozinha, pois ele me ajudaria na adaptação...coisa que nunca aconteceu, desde que me mudei para o Rio ele já se encontrava internado, de onde não mais saiu. E não houve um dia sequer que não olhei para a cidade maravilhosa e pensei nele e em sua família, em seu filho, e esta não me parecia mais tão maravilhosa assim.
Hoje perdi este amigo, quem é de Rio Preto com certeza sabe quem era Neto Teixeira, ele era onipresente...ele e sua alegria de viver. Eu o conhecia há muito tempo, desde sempre, mas como ironia do destino foi em 2011 que realmente nos tornamos amigos. Acho que nunca lhe disse que até tinha birra dele no passado, tenho a lembrança de um carnariopreto ele com aquele extintor de coquinho me espirrando na cara, de brincadeira lógico, mas porque eu estava com um grande amigo dele, e rolava aquele ciuminho bobo de amigo do paquera. Enfim, a paquera acabou há anos, e a minha amizade com ele se tornou uma das melhores coisas neste ano que passou.
O que eu levo disso tudo que vivi? Que a sensação "estar bem" é muito relativa. Bem mesmo estávamos no útero das nossas mães, sem preocupações, e mesmo assim fomos obrigados a sair para crescer e evoluir....e qual a nossa reação? Choramos...é o normal, o bebê que não chora ao nascer é preocupante! Então hoje, apesar de "estar bem", eu choro, não consigo conter as lágrimas...choro ao lembrar das risadas que meu amigo me proporcionou, da torcida pelo nosso tricolor, das dezenas de vezes que ele fez a banda cantar parabéns no meu aniversário, do quanto ele fazia um simples restaurante mexicano se transformar com sua chegada, do apoio que ele me deu para aceitar um novo desafio, do amigo, pai, filho e profissional que ele foi...choro pelo mundo que, em meio a tantas pessoas cruéis que nos deparamos, perde um ser humano tão espetacular. Choro em agradecimento por ter se tornado sua amiga este ano, e pela árdua adaptação que todos nós sofreremos sem a sua presença.
Portanto, que todos aproveitem não só este final do ano, mas toda a sua vida, com as pessoas que amam...e que Deus dê muita saúde a todos, e capacidade de adaptação às linhas tortas da vida, por mais injustas que possam parecer. Problemas, todos temos, mas que a gente consiga relaxar e disseminar amor e alegria...é isto que desejo!
Um brinde à VIDA, que você se faça merecedor de cada segundo dela.
Beijos no coração de todos!
quarta-feira, outubro 05, 2011
Steve Jobs...até no fim me ensinando a recomeçar!
Nesta noite em que o mundo recebeu a triste notícia da perda de um gênio da nossa época de maravilhas tecnológicas, eu começo a analisar a trajetória dele e através de suas palavras consigo voltar aqui no blog e escrever sobre a minha vida nestes últimos dois meses. Em seu famoso discurso para um grupo de formandos da universidade de Stanford na California, Steve Jobs cita em determinado momento:
"E aí fui demitido. (...) O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. (...) Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa."
De repente era Mr. Jobs falando da vida de Fernanda Gomes Luz Braga.
Em 19 de agosto de 2011 eu estava no escritório por volta da 1 da tarde quando recebo um telefonema do trabalho para pegar o primeiro vôo até São Paulo, pois minha presença se fazia necessária por lá. Minha intuição feminina me alertou, mas a gente desacredita no que os seres humanos são capazes de fazer em certos momentos de imaturidade. Sim, eu fiz malas, meus pais me levaram até o aeroporto, cheguei de táxi ao escritório de São Paulo em uma sexta-feira às sete da noite para ouvir pessoalmente que estavam me demitindo. Sem maiores explicações, se é que nessas horas algo explica, nem Freud....ainda mais depois de seguidas avaliações positivas de desempenho e um discurso de que era um dos únicos três gerentes considerados potenciais para subir na companhia.
Assim como Steve relatou, fiquei sem chão, principalmente por ser alguém que se dedicou a fortalecer o pilar profissional, alguém que há 12 anos não sabe o que é acordar e não ter que ir trabalhar. Chorei a noite toda, me escondi de uns, briguei com outros, pensei em todos os piores cenários possíveis e imagináveis. Tinha vergonha de encarar meus pais, tinha medo de ter que desfazer meu apartamento que acabei de montar, tinha pavor de ficar devendo pra alguém, nem que fosse pra minha família. Perdia o sono todas as noites, alternava entre inquietação e calafrios debaixo das cobertas durante o dia ensolarado. Não me dava o direito de tomar sol, afinal não estava de férias. Tentava planejar em vão, me desesperava em incertezas. Esboçava um sorriso, uma descontração, ainda bem que existem parentes e amigos que compreendem e conseguem te deixar a vontade até nessas horas. Ah, e terapia, claro...o que seria de minha mente pisciana sem ela?
Por causa do meu cantinho montado com tanto carinho, e principalmente pelo meus pais, eu queria ficar em Rio Preto. E isto me gerou um bloqueio psicológico enorme para buscar emprego em São Paulo novamente, eu simplesmente não conseguia. Pensar em fazer mudança mais uma vez, encarar a cidade da garoa com seu trânsito infernal, despertar emoções passadas, e pior, pensar em voltar para as horas e horas trabalhando sem cessar em consultoria...soava como um pesadelo. Em contrapartida, no interior a vida tranquila demais, onde não aparecia uma vaga interessante sequer, salários baixos, amadorismo em alta. E o tempo passando...um mês e meio que pareceu uma eternidade.
De repente um desafio surgiu...completamente inesperado, mas podemos dizer que já sonhado...muitas vezes por sinal. Mais uma vez remetendo a Steve, tive a chance de me sentir iniciante de novo. Depois de muito pensar a respeito, desafio aceito. Hoje estou em São Paulo, comecei um novo projeto há três dias, moro em um flat pela empresa, vou até o escritório caminhando, me sinto produtiva de novo, aprendendo coisas novas, trabalhando com gente que sou fã desde pequena...e voltei a enxergar diversas alternativas e soluções. Nunca tive medo de lutar, aquela sensação de fracasso passou...só realmente fracassa quem se entrega, e esse nunca foi meu perfil. Tive momentos frágeis, picos de ansiedade marcados por palpitações e desejo de ficar na minha zona de conforto para sempre...mas aquela não era eu, e isso que me deixava ainda mais ansiosa...queria saber quando eu voltaria a me enxergar no espelho!
E graças a Deus não demorou...no dia em que ficou definida a data de início do meu novo trabalho, eu vesti o biquini e o sorriso no rosto, e fui para a chácara dos meus pais. Assim que cheguei meu pai me recebeu com a seguinte frase: "a Fefa está de volta!". E foi isso mesmo, voltei mesmo tendo que partir...e aí sim curti uma semana de férias, aceitando mais uma vez a prova da vida de que não nasci para a rotina.
Obrigada Steve Jobs pela lição de vida, por expor suas fraquezas, sua suscetibilidade aos problemas de qualquer ser humano, o que não o impediu de brilhar e deixar um planeta curvado aos seus feitos tecnológicos, e a um chefe de família admirável.
Por um mundo com mais Steve Jobs e mais recomeços!
"Have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary."
"Tenha coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles, de alguma forma, já sabem o que você quer se tornar. O resto é secundário."
(Steven Paul Jobs 1955-2011)
segunda-feira, julho 18, 2011
O fim de uma era?!
Nas aulas de História durante o ginásio (é, to antiga e não sei o que é ensino fundamental, essas nomenclaturas novas), lembro de estudar os períodos e ainda ter de colocá-los em uma cartolina em forma de linha do tempo...quem estudou no velho Anglo de Rio Preto, vai se lembrar da professora Magda. E foi esta imagem que me veio na última sexta-feira...uma era de 30 anos se encerrava, com apogeu de uns, queda de outros, hino e tudo o que se deve ter.
É a queda daquela rua que quase não passava carros, onde me sentia segura brincando até de madrugada, daquele corrimão da escada que parecia tão alto e levar bronca ao escorrega-lo valia a pena pela adrenalina que causava. A queda do relógio que eu ficava fitando os segundos até bater 15 horas para que minha mãe me liberasse para a piscina após o almoço, a fim de evitar uma congestão. A queda da esquina onde tomei trote ao entrar na faculdade, do quarto onde sonhei e sofri com meu primeiro amor, e depois com muitos outros...até hoje...da antiga sala de som que tinha almofadas retangulares, que empilhadas se transformavam em um túnel que divertia a mim e a meus sobrinhos mais velhos.
Sendo assim veio o apogeu do bairro, cheio de clínicas, restaurantes e estabelecimentos comerciais de alta qualidade...do movimento nas ruas, todas monitoradas pela irritante zona azul, e ensaiando um início de trânsito. Veio o apogeu da maturidade da família, onde cada um tem a sua casa própria, e meus pais enfim poderão cuidar da vida deles, sem ter filhos, parentes e agregados tomando conta daquela antiga "casa da mãe Iraí"...apesar que tenho a impressão de que, seja onde for, isso não acabará por completo jamais...
E o hino que tocava era dos meus passos que ecoavam em um silêncio ensurdecedor enquanto transitava por entre os cômodos daquele lugar que já teve tanta vida, tantos móveis, tantas vozes, tanto amor. As lágrimas escorriam na minha face, a sensação era de uma guerreira voltando ao seu forte e encontrando-o destruído, eu era Scarlett O'hara voltando à Tara após a guerra, o personagem de Tom Cruise em Vanilla Sky encarando Times Square vazia.
Mesmo que com 2 anos de idade, eu "construí" aquilo ali...e mesmo tendo saído com 16 anos, nunca deixou de ser meu quartel general, meu endereço que nunca mudou, meu porto seguro. Viajei pelos sete mares, mas sempre foi naquela esquina da Redentora onde preservei o meu maior tesouro, minhas melhores lembranças, minha gente, minha casa, meu lar. E neste último ano, em que voltei, pude me despedir melhor...curtir um pouco mais antes de encerrar esta era.
Minha vida particularmente teve outros tantos marcos, e mudanças, e casas...mas defini esta como uma era pela abrangência de influência que ela teve, não foi só a minha vida, e sim de toda a família, agregados, amigos, parentes, conhecidos...já ouvi diversas vezes na rua ao conhecer alguém: "nossa, já estive em uma festa na sua casa!"...ah, se aquelas paredes falassem...mas não soltam uma palavra sequer, e desde sexta-feira se encontram mais caladas do que nunca.
Aos prantos na terapia tudo ficou mais claro, esta sensação de perda é simbólica, sobre um tempo que não volta mais. A casa ainda é nossa, meus pais e minha avó estarão bem melhores na chácara, e eu no meu apartamento que está ficando uma graça, e as memórias para sempre estarão comigo. Foi uma era próspera, feliz, marcada por grandes momentos, altos e baixos, mas sempre regida por muito amor. E que venha a próxima...quem sabe será o início de uma era realmente construída por mim? De tijolo em tijolo é onde espero chegar...a um lar tão marcante como este.
quarta-feira, julho 13, 2011
Eu voltei......agora pra ficar ?!
Depois de um longo e tenebroso inverno...ops...nem longo, nem tenebroso, afinal passei um mês em lugares bem quentes, e voltei à minha terra onde o frio faz pequenas aparições esporádicas e de baixa intensidade...mas ok, é uma metáfora, e não diz respeito a meteorologia, e sim ao distanciamento que eu estava aqui do blog, e de muitas outras coisas. E a razão de tudo pode soar vergonhosa, mas foi por pura preguiça. Sim, eu estava com preguiça de escrever....e de "otras cositas más"...
E então eu me questiono como posso ter voltado de férias maravilhosas, que duraram quase um mês, e já estar com preguiça? E percebo que a preguiça tomou conta de mim justamente no momento em que o avião pousou por aqui. Ah, que preguiça da bagunça de Cumbica e do descaso da TAM, que me cobrou excesso de bagagem e não embarcou a dita cuja, preguiça de chegar e encontrar algumas mesmices, de enfrentar pontadas de inveja, de explicar o óbvio, de abafar sentimentos, de fingir não ouvir, de chacoalhar os fúteis, de pagar impostos que nada retornam, de engolir seco, de sufocar o grito........preguiça da realidade!
Não estou reclamando da vida, nem do Brasil, ou de Rio Preto...não sou de procurar culpa não, já morei em outros lugares e sei que o sentimento para mim sempre foi o mesmo em qualquer canto, é inerente ao ser humano...ou pelo menos à minha pessoa! É inevitável que quando saímos do caixote em que vivemos temos uma outra perspectiva dele, olhamos outros e questionamos se o que achávamos bom é realmente o melhor que podemos fazer....em todos os aspectos. Mas em contrapartida também reconhecemos o que temos, e aprendemos a dar valor.
Ou seja, toda esta "preguiça" é recompensada pelo abraço que recebi dos meus pais no aeroporto, ansiosos com olhos marejados e as vozes engasgadas de saudade...com a reação da minha avó, que mesmo sem lembrar meu nome por causa do Alzheimer, mostrou que sentiu minha falta ao dizer com um sorriso tranquilo "ufa, achei que você não ia voltar"...com as sobrinhas penduradas no pescoço, os irmãos ávidos por saberem tudo que passei sem suas devidas supervisões, a Nice me esperando com strogonoff e bolo de chocolate, e a sensacional corrida para todos os lados da casa seguida de lambidas do Johnnie...com o carinho dos amigos reais através de demonstrações virtuais e presenciais, com minha mesa no trabalho me esperando em um novo layout, com meu apartamento inacabado aguardando minhas decisões, com meu carro empoeirado na garagem. Tudo isso pode não parecer o melhor na perspectiva de quem olha de fora, mas para mim é o melhor da vida, por ser real...e por ser meu, frutos de minhas conquistas.
A preguiça para algumas coisas continuam...e não acho ruim, acho que haverão coisas que terei preguiça sempre, é meu pecado capital confesso...e acho bom ter esta "preguiça" de valores que não aceito, acho bom questionar, acho bom enxergar, acho bom sair e reciclar, acho bom não me acomodar, acho bom escolher em que lado ficar, acho bom lutar, e se preciso mudar, e...ahhhhhh como acho bom viajar............e sempre que volto, mesmo cheia de preguiça, concluo o quanto é bom...ter para onde voltar!
segunda-feira, julho 11, 2011
Singapore at Night
A primeira noite não consegui sair de casa devido ao jet lag...não tinha forças...mas na segunda noite já quis sair para jantar...nada de balada, na verdade nada de balada durante toda a viagem, não tava nesse ritmo...mas sair para jantar sempre será um dos meus passeios prediletos, ainda mais em viagens né?
E nesta segunda noite fui parar em um restaurante mexicano...aaaaaaaa como me encanta los tacos, burritos, chili, las quesadillas y el Mojitoooooo. Enfim, o restaurante fica em um complexo de bares e baladas, chamado Clarke Quay (http://www.clarkequay.com.sg)...muito bacana....e lotado, como tudo na Ásia...haja lugar para tanta população !!!
Comemos no mexicano por vontade de variar e comer algo que nos agradava...mas o que chamou a atenção mesmo foi um restaurante que eu já ouvido falar na internet e nem tinha me ligado que era em Singa...o "The Clinic" (http://theclinic.sg/) que é um restaurante temático de hospital...ou seja, você senta em cadeiras de rodas ou em camas de hospital, acima da sua cabeça estão "lustres" iguais às luzes de um centro cirúrgico, são servidas bebidas em seringas e em bolsas de soros...tem gosto para tudo, mas achei um tanto quanto macabro, sei lá...não gosto do ambiente hospitalar, definitivamente!
Além disto, para nós Brasileiros, sempre bom saber que lá em Clarke Quay também tem uma churrascaria tipo Brasileira (http://www.senorsantos.com/), olha que maravilha! Tudo bem que o nome é em espanhol, Señor Santos, e sabemos que nunca será a mesma coisa que nos deliciarmos com um rodízio tupiniquim, mas é sempre uma boa opção para matar um pouco a saudade de casa.
No sábado fomos jantar no restaurante Ku de Ta (http://www.kudeta.com.sg/), que fica no topo do hotel Marina Sands Bay (o da piscina), ou seja, dispensa maiores comentários...um arraso! A começar pela vista lá de cima...estonteante! E o ambiente é bacana, a comida boa, e depois fica um DJ e aquele esquema lounge...perfeito para um sábado a noite!
Após nosso giro em Bali, Tailândia e Malásia...voltamos a Singa e para curtir minha última noite, fomos ao Raffles Hotel (http://www.raffles.com/EN_RA/Property/RHS/), que é luxuoso e belíssimo !!! A primeira parada foi no Long Bar, que todos recomendam por ter sido o "pai" do famoso drink local, o Singapore Sling. Confesso que não gostei do bar, ele é mais rústico, bacana a decoração, mas é estranho um hotel tão luxuoso ter um bar em que o chão está lotaaaaaado de cascas de amendoim. Juro, parecia filme do Indiana Jones quando ele pisa em insetos e assusta para ver o que era...éramos nós com os amendoins, achei sem noção. Sem contar a música, ao vivo, que era bem devagar...entramos e tocava "Unforgettable"...linda, mas não condiz com o tipo do bar e muito menos com o "mood" que estávamos. Achei muito contraste a música, os amendoins, a decoração e o público...não ficamos, descemos para o bar aberto do hotel, o Courtyard, cujo visual era muito mais lindo e a champagne rosé deliciosa...rs masssss a cozinha já havia fechado, então partimos para comer em outro lugar, atravessando a rua.
E chegamos a mais um complexo de restaurantes, bares e opções para a noite em Singa, o Chijmes (http://www.chijmes.com.sg/) ...e pasmem, o que chama atenção no visual a noite é a iluminação de uma igreja católica, coisa raríssima...e era antigamente um convento! E lá tem diversas opções para jantar, optamos por um restaurante que oferecia de tudo um pouco, comi uma massa muito boa e tomei um Mojito para despedir...de repente vejo uma baladinha, um inferninho com música ao vivo, enquanto o pessoal pedia a conta resolvi entrar e conferir, era de graça...fiquei exatos 18 segundos lá dentro...ahahahaha não adianta, o público local não me empolga...eeeeeee saudade do povo Brasileiro!
Assinar:
Postagens (Atom)








